30 de ago de 2004

:: Ponto de Fuga ::

Esse termo me veio à cabeça, mas totalmente diferente do seu significado original: sem contexto algum de arquitetura, desenho ou coisa do tipo. Foi quando me flagrei fugindo da realidade, imaginando alguma coisa que eu poderia fazer da minha vida se já não estivesse fazendo esta outra. É um pensamento um pouco abstrato demais (aliás, qual pensamento não é?), parece um pouco coisa de realidade alternativa de história em quadrinho... ou talvez alguma coisa naquela batida do filme “De caso com o acaso”.

Nesses pensamentos, eu fico imaginando o que aconteceria se um belo dia eu pedisse o boné na agência onde trabalho e me inscrevesse numa organização qualquer, como a CARE ou coisa do tipo. Será que seria mandado para o Tibet? O que aconteceria?

Classifiquei outros “pontos de fuga” em uma categoria diferente: lugares onde já fui. Fico pensando em Portugal, onde moram meus pais, e se daria certo arriscar a sorte por lá. E o que se torna mais tentador nessa categoria é o constante sabor de possibilidade que tem. Parece algo sempre ao alcance. E talvez seja. Ou será que esse “talvez seja” já sou eu, de novo, indo para o Ponto de Fuga?

A princípio não parece nada muito complicado deixar-se levar por essas idéias. Acho que todo mundo tem os seus. E, obviamente, não se restringem a questões profissionais. Mas o problema é quando começa a tomar proporções de vício. Já vi isso quase acontecer comigo. Mas eu é que controlo, cara, quando quiser sair dessa eu saio. O Ponto de Fuga, como qualquer outra droga, tira a gente da realidade. Se usado socialmente, pode até ser droga recreativa; caso contrário, torna-se a muleta perfeita pra deixar as coisas pra depois. Pra acomodar. Já com outros aditivos externos, é o trem-bala pra alguém se tornar mais um de tantos Napoleões que perambulam pelas ruas, certos de que levam ouro, incenso e mirra em seus carrinhos de supermercado.

Acho que culpa disso é, também, de um espírito inquieto. Se de fato for, é até bom. Afinal, nada garante que, uma vez nesse “outro lugar” para onde o Ponto de Fuga leva, a satisfação aconteceria. Principalmente quando se percebe que a insatisfação é uma característica intrínseca do ser humano. Que, a propósito, se manifesta em mim agora, já que duvido que este texto tenha conseguido passar a complexidade do que me parece ser esse assunto... se, obviamente, concordarmos que é um assunto que merece ser dissecado. Mas qual a graça de dissecar só aquilo que é necessário, por outro lado?

Enfim, guardo minha droga mental, meus Pontos de Fuga, para quando tudo o mais parece descontrolado. Estou me cuidando pra usar regularmente. Mas se alguém me vir falando sozinho pelas ruas, por favor, sinta-se à vontade para me mandar para uma clínica de desintoxicação.


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