29 de out de 2004

:: Formar-se ou conformar-se ::

Hoje em dia muita gente tem se preocupado em conquistar títulos pra colocar uma linha ou duas a mais nos currículos e se preocupado menos em pensar pela própria cabeça. Tanto que não páram de surgir novos cursos de MBA, MBMA, VHS e praticamente qualquer combinação de letras que resultem numa sigla foneticamente aceitável. Cultura não ocupa espaço, isso é fato. O problema é quando o que se ouve ocupa o lugar dos próprios pensamentos. E isso é o que tem acontecido cada vez mais.

Pra quê formular suas idéias se o Dr. Fulano, PHD, disse que é assim? Ou se o best-seller “tal” diz que é de outro jeito? Claro, não precisa, é muito mais cômodo. O impressionante é que as pessoas historicamente pertinentes foram justamente aquelas que fizeram questão de pensar de forma diferente da maioria. Ou que, pelo menos, sentiram-se à vontade para encontrar as próprias respostas ao invés de buscá-las já prontas nos livros de um autor qualquer. Nada contra os livros, pelo contrário. Mas eles devem ensinar a pensar, e não simplesmente determinar o que é certo ou não.

A humanidade já passou por períodos grandes demais de retenção e manipulação da informação e da verdade. A quantidade de conhecimento que se perdeu e que se deixou perder propositalmente foi e ainda é absurda. Por isso, mais absurdo ainda é as pessoas deixarem que instuições e títulos sejam responsáveis pela criação de seus próprios pensamentos. Ou, ainda pior, achar que nada disso está de fato acontecendo.

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