4 de nov de 2004

:: Is Renato your friend? ::

Também caí nas graças do Orkut. Ou vice-versa. Graças a ele, encontro mais ainda amigos que já encontro sempre, reencontrei alguns que não via há anos e ainda outros que nunca tinha visto antes. E que, ao bem da verdade, ainda não vi. Mas conheci.

Fora um ou outro aprisionamento virtual, tudo parece funcionar bem. Mas tem uma coisa que incomoda. E o pior é que ela é o ponto de partida individual para o Orkut: o profile. Em outras palavras, a pergunta é: “E aí, Fulano, quais são os ingredientes que o compõem?”

O problema é que ninguém pode ser tão facilmente definido. E ninguém gosta de ser rotulado, ainda que seja por si mesmo. Junto a tudo isso, vem aquela necessidade de aceitação irrevogável que todo ser humano tem. Ainda que seja ser aceito por outras pessoas que não fazem questão de aceitação alguma. O homem é um ser sociável. Aliás, o Orkut se baseia nisso.

Assim sendo, o cursor piscando ameaçador no campo “describe yourself” é, invariavelmente, injusto. Não importa quais forem as letras que ele for abandonando à esquerda, sempre vai ficar a sensação de que poderiam, ou deveriam, ser outras. O que escrever? O que as pessoas querem ler? O que dizer para parecer simpático e agradável ou um louco desvairado, se for o caso?

Fashion. Favorite Cuisines. Humor. São essas as informações que pretendem, no final da equação, dizer quem é quem. E que conseguem gerar o eterno conflito entre o medo de se expor e a vontade de ser popular. Prato cheio para a psicanálise.

A impressão que dá é que todo mundo, mais do que encontrar outras pessoas, está tentando encontrar a si mesmo. Tomara que consigamos.

Um comentário:

Anônimo disse...

Tbm torço pra conseguir me encontrar e pra vc conseguir um profile que lhe deixe satisfeito.

Tudo muito bom por aqui, mas esse foi especialmente.

...rastros...