25 de dez de 2004

:: Ano Novo. Vida nova? ::

Todo reveillon costuma ser implacável com o ano que termina. Não importa como tenha sido, acaba sempre sendo rotulado como, no mínimo, “difícil”. No final, isso empurra para o ano seguinte a responsabilidade de ser bom o suficiente não apenas para tudo o que vai acontecer, mas também para apagar todas as frustrações pelo que já deveria ter acontecido e que, por um motivo ou outro, não aconteceu. E assim confunde-se a esperança de começar bem um novo ano com o conformismo inconsciente por tudo o que não se fez.

A procrastinação é um dos grandes males da humanidade. É, por exemplo, a dieta que vai começar na segunda que vem. É o material que pode ser enviado até o dia tal, e só no dia tal é enviado... às pressas. É o telefonema de parabéns pelo aniversário, que empurrado sempre pro minuto seguinte, acaba sendo esquecido. Para esse, pelo menos, já temos um grande aliado: “rapaz, seu telefone só dava fora de área”.

Por essas e outras é que, até hoje, os moradores da casa recém-assaltada resolvem enchê-la de trancas.

Que nesse novo ano, todos nós cumpramos ao menos uma resolução de Ano Novo: a de realmente fazer as coisas acontecerem.

“A sorte favorece os audazes”

Um ótimo 2005 para todos.

4 de dez de 2004

:: Silêncio ::

“Até o tolo, quando se mantém calado, passa por sábio.”
Essa frase está no livro de Provérbios que, por sua vez, está naquele que é o mais popular de todos. Pra acompanhar esse pensamento, vários outros ditados e frases surgiram. “O silêncio é ouro”, por exemplo. Além disso, muitas vezes o falatório desenfreado de algumas pessoas serve só pra mostrar que, no final das contas, elas não dizem nada que valha a pena ser ouvido.

Já vi muitas vezes pessoas serem arruinadas por causa de uma palavra fora de hora. Um comentário desnecessário. Uma piadinha infeliz. Quase chegando ao ponto de, em um enterro, ouvir dizerem para o enlutado: “há males que vêm pra bem”.

Outro ditado: “Há três coisas que jamais voltam. A flecha disparada, a palavra proferida e a oportunidade perdida.” E a maior oportunidade que as pessoas perdem, muitas vezes, é justamente a de ficarem quietas. Como o que ouvi na rádio, hoje: que não importa a colocação do Vanderlei Cordeiro de Lima na maratona; o que importa é que, apesar dos pesares, ele cruzou a linha de chegada sem xingar ninguém. Delírio ufanista de quem confunde as Olimpíadas com concurso de Miss Simpatia.

Dentro do ônibus: “Eu podia estar roubando. Podia estar matando. Mas estou aqui pedindo dinheiro”. “Podia” estar matando? “Podia” estar roubando? Não “podia” não! Só que um dia, ao invés de aproveitar seu direito inalienável de manter-se quieto, um passageiro soltou essa pérola para seu companheiro de banco enquanto deixava algum dinheiro na mão do pedinte. E o silêncio de todos os passageiros que pegaram e pegam ônibus desse dia em diante acaba deixando quem interessa convencido de que o argumento é bom. Assim, tal e qual quem vivia sob a mão da máfia, todos pagamos por proteção.

Sobre promessas, nem se fala. Principalmente políticas, amorosas e de dirigentes de clubes.

Há muito mais que se poderia dizer sobre o silêncio neste texto.
Mas o que era pertinente já foi dito.