13 de jan de 2005

:: A nova onda ::

Só mesmo os grandes líderes do mundo para conseguir transformar uma tragédia humana sem precedentes em um concurso de popularidade. E enquanto contam-se os mortos às centenas, os donativos de cada país são expostos em tabelas nos jornais como o quadro de medalhas das Olimpíadas. Se, enquanto isso, algum sobrevivente for ajudado, tudo bem. Palmas para as pessoas comuns, essas sim sinceras, que doam o que tem sem pensar no que isso pode render no futuro. Afinal, ninguém se iluda, toda essa ajuda humanitária prestada pelas Potências Mundiais vai ser cobrada em algum momento mais adiante: seja em relações comerciais ou em uma postura favorável a alguma intervenção militar.

O que fica evidente na tragédia do Sudeste Asiático são duas coisas: a primeira é que o ser humano, o cidadão comum, é essencialmente solidário seja com quem for. A segunda é que chegamos a um ponto em que são necessárias milhares e milhares de mortes para que alguma comoção aconteça. Ninguém mais se impressiona com Serra Leoa, com o Haiti ou com o Vale do Jequitinhonha. Nossos corações só se movem com contagens de vítimas acima de cinco dígitos; com números como 80 ou 90% de desabrigados. E, assim, deixamos de perceber que o pedido de ajuda de alguém que vem a nós, na rua, representa 100% de uma vida.

Tomara que as tsunamis sirvam para trazer também para as nossas praias um pouco da solidariedade que dispensamos, e devemos mesmo dispensar, para a Ásia.

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renatoalt@hotmail.com

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