26 de jan de 2005

:: You Got Mail! ::

As letras são traiçoeiras.

Tudo o que a gente escreve pode ser interpretado de mil maneiras diferentes, de acordo com o humor e a personalidade de quem estiver lendo. Já houve casos em que fui responsável por criar situações desconfortáveis e nem ao menos soube disso. Em algumas delas, quando enfim soube, o caminho já tinha ficado longo demais para ser trilhado de volta: seriam necessárias tantas explicações que elas provavelmente soariam mais incriminatórias do que redentoras.

Dia desses recebi um e-mail de um rapaz que achou que eu estava dando em cima da namorada dele. Ameaçou arrancar-me os olhos. A garota em questão: uma amiga que tenho há anos e que também há anos não vejo; e que, pelo jeito, passei a correr o risco de nunca mais ver. O motivo da ameaça: um scrap que mandei para ela, feliz por reencontrá-la ainda que virtualmente, onde dizia “mas então o Orkut funciona de verdade!”. Alguém me responda: encontrar amigos não é o princípio básico do Orkut?

Aliás, me permitam abrir parênteses aqui: vem me assustando o grau de seriedade que tudo o que gira em torno – e dentro – do Orkut vem alcançando. Mas isso é tema para outro texto.

Enfim, fiquei bastante incomodado com o erro de interpretação. Antes de alcançar o “ponto sem retorno”, tentei esclarecer o que aconteceu. Não sei se consegui.

Cheguei pensativo em casa. Percebi que quando as pessoas não se conhecem pessoalmente, tendem a interpretar negativamente tudo o que as outras dizem. Todos estão escaldados, com pedras nas mãos, preocupados em defender um território que muitas vezes nem sequer está ameaçado. Tentei imaginar os motivos de estarmos todos assim. E a conclusão é mais do que a obviedade do “sociedade competitiva”, que é a primeira idéia que nos ocorre – e que,claro, também está certa: estamos todos esmagados por uma cultura que, acima de tudo, prega o medo. Mas faz isso veladamente.
Todos os dias meu inbox vem lotado de e-mails de tudo quanto é tipo, quase todos em inglês. Alguns dos subjects: “Your girl want it bigger!”; “Your internet connection is not safe”; “Get your bachelor´s degree”. Alguns dos textos: “Cuidado. A polícia informou que um maníaco tem colocado agulhas com sangue contaminado com o vírus HIV nas poltronas dos cinemas”; “Cuidado. Um rapaz usou o celular na chuva e recebeu uma descarga elétrica”. Todos esses e-mails, no final, trazem só uma mensagem: não importa o quão cuidadoso você é, vai estar sempre ameaçado. Não importa como você é, nunca vai ser bom o bastante. Não importa o quanto você se dedique a uma relação, seu namoro vai estar sempre em risco. É interessante que nos façam pensar assim. Afinal, como disse Marylin Manson em “Tiros em Columbine”, o medo vende.
Somando tudo isso, nada mais normal do que vivermos com os nervos em frangalhos.

É claro que precisamos evitar situações de risco. É claro que precisamos sempre nos aperfeiçoar, tanto quanto pudermos. É claro que nunca podemos deixar uma relação cair no marasmo ou deixar de valorizar quem está conosco. Mas, mais do que tudo, o que precisamos são duas coisas: a primeira delas é tomar consciência de que viver é muito mais simples do que nos querem deixar perceber; a segunda é colocar mais alguns filtros nas nossas caixas de correio.


3 comentários:

Anônimo disse...

Oi, Renato! Tudo bem?

É a Cecília, sua amiga japa de Orkut. Aqui só posso postar de maneira anônima, mas, ainda assim, gostaria de deixar registrada publicamente a minha indignação com pessoas que usam o Orkut e outros meios de comunicação virtual de maneira completamente desvirtuada, corrompida.

De uns tempos para cá, tanto as minhas caixas postais de e-mails (todas as que o pessoal do Orkut já conhece: yahoo.it, gmail.com e hotmail.com), quanto o meu scrapbook se tornaram um grande palco para intrigas, ciumeiras indevidas e outras bobagens. Por conta deste exagero irreal, nos últimos dias, me perguntei várias vezes o que você sempre questionou: - "Como alguém pode levar tão a sério algo virtual, que deveria ser divertido e proporcionar novos amigos?"

O Orkut, segundo consta, é uma minúscula representação da imensa fauna cibernética existente no mundo. Pode-se encontrar lá todos os tipos de pessoas, de todos os lugares, com todos os padrões de pensamentos existentes, com todas suas correspondentes riqueza ou pobreza.

Você, talvez mais que boa parte dos meus amigos "reais", sabe que também já fiquei muitas vezes deslumbrada com o virtual, totalmente fascinada com as inúmeras possibilidades, mas jamais chegaria ao cúmulo de "patrulhar" scrapbooks alheios, "monitorando" e "checando" datas e horários, como se este tipo de bobagem fizesse alguma diferença nos meus sentimentos, na minha amizade e consideração...

Infelizmente, descobri que este tipo de detalhe faz sim muita diferença para gente alienada e carente, que gosta de disputar joguinhos de atenção e que não possui nada melhor para fazer do que perder horas e horas, verificando se está recebendo mais ou menos scraps que Ciclano ou Fulano.

E agora, também eu trilhei um caminho longo, longo demais para retornar, meu querido... Estou cansada de ter que me justificar a cada post como se eu estivesse sendo acusada de um crime imperdoável. E cada vez que tento diminuir o uso do Orkut por motivos pessoais ou por mera impaciência mesmo, sou considerada "omissa" e tratada como "traidora" por algumas comunidades ou pessoas.

É este o meu "paraíso virtual"? "O lugar onde encontro diversão e troca de informações junto a meus amigos"? Ah, então tá... hunf!

Devido a este tipo de relacionamento virtual doentio, já pensei inúmeras vezes em deletar meus profiles no Orkut. Hoje não foi uma exceção. Mas, toda vez, quando vejo na tela do computador a foto de pessoas que considero muito próximas do meu coração, desisto... Ainda que a distância real, às vezes, ultrapasse fronteiras internacionais, este carinho ultrapassa em muito o virtual e se tornou real, quase palpável em muitos casos.

Nada contra amizades virtuais, muito ao contrário, todos que me conhecem sabem que faço o estilo "nerd viciada em internet", mas a partir do momento em que e-mails e scraps acusadores chegam a roubar o sono e a paz de alguém, tamanha é a injustiça das acusações infundadas, ilógicas e pretensiosas recebidas, algo realmente não está funcionando bem. Talvez seja só eu... Talvez seja o Orkut... Talvez seja o mundo, Re...

Em todo caso, gostaria que soubesse que você não é o único a trilhar estradas sem retorno e que a sua foto sempre foi uma das que refreou a minha vontade de deletar meus profiles. As letras são traiçoeiras, mas, como sempre, agradeço por cada uma de suas palavras.

Beijos carinhosos, menino! Cuide-se bem e fique com Deus!

Anônimo disse...

Oi, Renato! Tudo bem?

É a Cecília, sua amiga japa de Orkut. Aqui só posso postar de maneira anônima, mas, ainda assim, gostaria de deixar registrada publicamente a minha indignação com pessoas que usam o Orkut e outros meios de comunicação virtual de maneira completamente desvirtuada, corrompida.

De uns tempos para cá, tanto as minhas caixas postais de e-mails (todas as que o pessoal do Orkut já conhece: yahoo.it, gmail.com e hotmail.com), quanto o meu scrapbook se tornaram um grande palco para intrigas, ciumeiras indevidas e outras bobagens. Por conta deste exagero irreal, nos últimos dias, me perguntei várias vezes o que você sempre questionou: - "Como alguém pode levar tão a sério algo virtual, que deveria ser divertido e proporcionar novos amigos?"

O Orkut, segundo consta, é uma minúscula representação da imensa fauna cibernética existente no mundo. Pode-se encontrar lá todos os tipos de pessoas, de todos os lugares, com todos os padrões de pensamentos existentes, com todas suas correspondentes riqueza ou pobreza.

Você, talvez mais que boa parte dos meus amigos "reais", sabe que também já fiquei muitas vezes deslumbrada com o virtual, totalmente fascinada com as inúmeras possibilidades, mas jamais chegaria ao cúmulo de "patrulhar" scrapbooks alheios, "monitorando" e "checando" datas e horários, como se este tipo de bobagem fizesse alguma diferença nos meus sentimentos, na minha amizade e consideração...

Infelizmente, descobri que este tipo de detalhe faz sim muita diferença para gente alienada e carente, que gosta de disputar joguinhos de atenção e que não possui nada melhor para fazer do que perder horas e horas, verificando se está recebendo mais ou menos scraps que Ciclano ou Fulano.

E agora, também eu trilhei um caminho longo, longo demais para retornar, meu querido... Estou cansada de ter que me justificar a cada post como se eu estivesse sendo acusada de um crime imperdoável. E cada vez que tento diminuir o uso do Orkut por motivos pessoais ou por mera impaciência mesmo, sou considerada "omissa" e tratada como "traidora" por algumas comunidades ou pessoas.

É este o meu "paraíso virtual"? "O lugar onde encontro diversão e troca de informações junto a meus amigos"? Ah, então tá... hunf!

Devido a este tipo de relacionamento virtual doentio, já pensei inúmeras vezes em deletar meus profiles no Orkut. Hoje não foi uma exceção. Mas, toda vez, quando vejo na tela do computador a foto de pessoas que considero muito próximas do meu coração, desisto... Ainda que a distância real, às vezes, ultrapasse fronteiras internacionais, este carinho ultrapassa em muito o virtual e se tornou real, quase palpável em muitos casos.

Nada contra amizades virtuais, muito ao contrário, todos que me conhecem sabem que faço o estilo "nerd viciada em internet", mas a partir do momento em que e-mails e scraps acusadores chegam a roubar o sono e a paz de alguém, tamanha é a injustiça das acusações infundadas, ilógicas e pretensiosas recebidas, algo realmente não está funcionando bem. Talvez seja só eu... Talvez seja o Orkut... Talvez seja o mundo, Re...

Em todo caso, gostaria que soubesse que você não é o único a trilhar estradas sem retorno e que a sua foto sempre foi uma das que refreou a minha vontade de deletar meus profiles. As letras são traiçoeiras, mas, como sempre, agradeço por cada uma de suas palavras.

Beijos carinhosos, menino! Cuide-se bem e fique com Deus!

RodrigoRL disse...

E aí cara... Quanto tempo!?

Incrível como as vezes é difícil nos comunicarmos!!!
Quanto mais evolui os sistemas de comunicação, mais as pessoas tem dificuldades de se comunicarem!!!
Será que se voltássemos aos tempos primórdios onde nem fala nem escrita existiam teríamos menos problemas com isso que parece ser uma evolução aos tempos rupestres?