19 de jun de 2005

:: ?! ::

Sou, sem a menor dúvida e disparado anos luz à frente do concorrente mais próximo, uma das pessoas mais estranhas que jamais conheci. E nem posso dizer que realmente me conheço. De certa forma, então, sou um dos estranhos mais estranhos que conheço – ou não.

Enfim, isso tudo porque costumam dizer que sou um ótimo conselheiro, e de ótimos conselheiros esperam-se atitudes aconselháveis. Mas, do que faço, pouco aconselho a alguém, apesar de que no que falo existe algo de aproveitável – e isso não sou eu quem diz, porque nem sempre eu ouço aquilo que digo, e sim as pessoas que vêm incessantemente a mim (e em número crescente) me perguntar o que fazer nesta ou naquela situação. E é aqui que a coisa fica esquisita: eu sempre sei exatamente o que se deve(ria) fazer, com a maior das clarezas, mas quando o conselho é pra ser seguido por mim mesmo, não é o que acontece... mesmo que eu saiba que estou certo.

Não sei quem mais sofre esse tipo de dicotomia, e nem se quem sofre pode de fator dizer que SOFRE com isso. Pra mim é um problema. Ou pra um dos que me compõem, pelo menos, mesmo que eu não saiba quem – o que, aliás, já é outro problema. Por exemplo: nesse exato momento, um de nós (que somos eu) acha que eu não deveria estar falando nada disso, muito menos pra pessoas que eu nem sei quem são (além das que são eu e que também não sei quem são), enquanto outro diz que eu deveria chutar o balde e falar tudo logo de uma vez, já que comecei mesmo e a palavra dita, assim como a flecha disparada, não volta atrás. Assim vou surpreendendo a mim mesmo constantemente enquanto, de quebra, surpreendo a outras pessoas pelo caminho. È muito estranho não se reconhecer nas próprias atitudes. É como se o corpo estivesse possuído por um outro espírito de mim mesmo, meio titereiro e meio marionete.

Falta um conselho pra isso. De preferência que não seja internação imediata.

4 comentários:

Mrs Dalloway disse...

Olá!
Nem lembro como cheguei aqui no seu blog, mas queria dizer que adorei seus textos! E me diverti muito com o seu dilema. Mas acredito que quase todos os bons conselheiros raramente seguem seus próprios conselhos...
Vai entender!
Ahhh o Link que leva para o seu Orkut está com um pequeno problema: ele vai levar para o orkut de quem estiver logado! ;)

Abraço você!

Cris* disse...

Já aconteceu isso com outros posts seus. Parece que você lê minha mente. Estava hoje mesmo pensando sobre isso, de ter smepre os melhores conselhos para os outros, e, quando se trata de minha vida, dos meus problemas, é tão difícil decidir o que é mais correto a se fazer. Também sou a amiga conselheira. É muito fácil saber o que uma amiga deve fazer, por exemplo, com algum problema, mas porque não estou no meio do problema. Talvez porque vemos "o problema" com certo distanciamento podemos avaliar "melhor". Não sei.

E em relação a escrever, escute o "eu" de "vocês" que diz que você deve fazê-lo. Nunca será um erro. ;)

bj**

Cris* again disse...

Voltei! rs...
É que há um poema que tem a ver com o post. Como também sou assim, guardei. Aqui está:

Tem um cara dentro de mim
Que faz tudo ao contrário:
Não temo amar, ele se borra
Sou esperto, ele é otário
Não amolo ninguém, ele torra
Acredito em tudo, ele é ateu
Sou normal em sexo, ele tarado
Agito sempre, ele fica parado
Sou bacana, ele escroto
Quem me faz infeliz e torto
É sempre ele, nunca fui eu.

Ulisses Tavares_Esquizo

bj*

glauglau disse...

Uma das que há em mim está dizendo que isso é noorrrmaall!
- Quem ousa duvidar? -