14 de jul de 2005

:: Devoto ::

ABCDEFGHIJLMNOPQRSTUVXZ

Estão todas aí.

Tudo em que se baseia a vida, todas as aspirações, amores e descobertas.

Como um cadeado de código, esperam pacientemente por quem as ordene e abra segredos da alma, da ciência e do futuro. Esperam silenciosas, desde que libertaram-se das paredes da arte rupestre para definirem sozinhas as cores, formatos, cheiros e dores de todas as histórias. Para mostrar distâncias que jamais poderão ser percorridas, explicar o que se vê ou ainda para o extravasar de quem vê mais do que consegue explicar.

O que há nos dedos que honram o papel? Nos dedos que cumprem ordens, no final de uma cadeia de tensão, suor, olhos fechados, garganta seca e taquicardia. Ou ainda de leveza irreal, etérea, incorpórea. Nunca, porém, de indiferença.

As palavras escolhem aqueles que as usam. Que as criam. Como a mulher desejada, que escolhe o homem que quer, mas que tem malícia o suficiente para deixá-lo crer que foi ele quem a escolheu. Não se entregam a quem as vê com desdém, que não as buscam, que não folheiam as páginas de seus santuários – os livros.

Não espere inspiração das musas se não as reconhece. Não espere as bênçãos das palavras se não as pede em seus templos.



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Um comentário:

Bia disse...

Li! :)