29 de jul de 2005

:: Fast-Food ::

Vejo pessoas irreconhecíveis em qualquer lugar onde vou à noite. Pessoas irreconhecíveis a si próprias. Sob luzes negras, imersas em batidas musicais hipnotizantes, em nome de uma diversão vazia e pueril; de esvaziar a cabeça do que lhe enfiaram durante a semana e sob o pretexto de tirar das roupas o cheiro de escritório. Pessoas que trocam olhares pela simples necessidade da satisfação fisiológica do desejo. Quem não busca isso, quem pretende oferecer mais do que isso, é um estranho nesse contexto. Ou mesmo para a vida.

Resolver. Essa é a palavra de ordem, não importa qual seja a qualidade dessa resolução. Para que empreender, se há concursos públicos? Para que conquistar, se há o sexo fácil? Para que lutar, se em algum momento alguém oferece? É a modernidade criando um ser humano pasteurizado e inexpressivo; Que faz uso de soluções que de fato o são para um problema pontual, mas que geram um ciclo interminável de carências e frustrações.

Há tantos que estão prontos a dizer que o certo é isso mesmo. Tantos que mostram em sua casca o quanto alguém pode ser bem-sucedido, apoiados pela impossibilidade de que lhe enxerguem a alma.

Mas não se pode ouvir vozes demais sem que a sua própria desvaneça.


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