5 de jul de 2005

:: Figa ::

Hoje, como em todos os dias, peguei a barca Niterói – Praça XV. Mas, pela primeira vez, vi que poderia estar correndo um perigo terrível.

Atentei para isso quando a pessoa que sentou ao meu lado – uma mulher com seus cinquenta e tantos anos – se benzeu assim que acomodou-se. Ou assim que me viu. Seja como for, acionou os santos disponíveis para protegê-la de qualquer eventualidade provocada pela barca ou por mim - à essas alturas me sentindo um psicopata.

Pensei sobre quais seriam as coisas das quais poderíamos ser protegidos durante os 25 minutos boiando sobre a Baía. Talvez Herman Melville tenha deixado alguma brecha em sua história e Moby Dick apareceria para destroçar a pobre barca Itaipú, como se fosse a versão brasileira do baleeiro Essex. Ou uma lula gigante, fugida das Vinte Mil Léguas Submarinas, poderia querer exercitar seus tentáculos na madeira.

Nada aconteceu. Ghegamos. A mulher se levantou e saiu.

Notei que benzeu-se para fazer a travessia mas não o fez ao descer na Praça XV. Talvez ache que a terra firme, por ser onde andamos sobre nossos próprios pés, seja naturalmente mais segura: é onde temos controle.

Mas se confiamos em nós mesmos quando podemos “andar pelas próprias pernas” é sinal de que subordinamos qualquer outra força à nossa. A fé perde seu propósito e torna-se não mais que um hábito ou superstição, como evitar passar sob uma escada. Somos absorvidos pelos afazeres do dia a dia e mantemos no cantinho da mente a velha idéia de que as coisas ruins só acontecem com os outros. Então, quando nos tornamos “os outros” de alguém, ficamos revoltados e nos perguntando “por quê”, como se fôssemos as criaturas mais injustiçadas do mundo. O que esperar, quando a fé e a confiança nela não são mais que um simbolismo?

Melhor colocarmos as coisas nos seus devidos lugares. Até porque ter qualquer superstição dá um azar danado.



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Um comentário:

Cris* disse...

Proteção. Precisamos dela sobre as águas, e sobre terra firme também! Do jeito que a coisa vai (o próprio homem é inimigo de si), quanto mais proteção melhor. Eu acredito em Deus, e só. Não tiro meu olhinho do pescoço rs... Mas é em Deus que encontro a tranquilidade de estar totalmente protegida. E São Miguel na nossa guarda, sempre! ;)

Qdo vou te encontrar no msn novamente, Mr. Alt?

bj*