1 de jul de 2005

:: Ouvidos e Psicotrópicos ::

Há pessoas que parecem não entender que o excesso de alegria, nos momentos errados, pode ser pior do que ser xingado. Como, por exemplo, quando você acabou de levar um fora, quer ficar em casa com a cara enfiada na cama vendo um DVD da pior qualidade, e insistem em te arrastar para uma festa a qual você não iria nem se estivesse bem. Afinal de contas, você precisa se animar!

Ficar junto a muita gente, nessas horas, é como estar num fogo cruzado de frases feitas: “Há males que vêm pra bem”. “Foi ela quem saiu perdendo”. “Você vai ver que foi melhor assim”. O pior é ficar com fama de antipático ou ser acusado de estar agindo errado simplesmente porque não quer fazer nada esfuziante demais: “ah, cara, você vai ficar assim por causa disso?” Experimente dizer que sim e pronto: além de estar na fossa, você passa a ser culpado por estar nela.

É mais fácil respeitar a alegria que a dor. A alegria, ao contrário da dor, não espera compreensão. Apenas cumplicidade. A dor exige respeito e, às vezes, reverência. Por isso é muito mais fácil ter camaradas do que amigos. Uns são rêmoras. Outros, cúmplices.

Sejamos mais parceiros e menos Prozac.



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2 comentários:

Cris* disse...

Renato "Art", Renato "Art"! Larga a mão de ser teimoso e vamos farrear! rs..
Kidding, of course! Também já pensei sobre isso (nossas mentes estão conectadas?), muitas vezes aliás. É muito bom "desvairar",´sair, ieeii, viva, viva. Mas há momentos que simplesmente são do silêncio, da solidão. Isso não é gostar da solidão, gostar da dor, da fossa. Quer dizer: preciso desse momento, agora. Se você sai, além de ter que aguentar a euforia alheia, será uma companhia chata. (Mas tenho que admitir que o amigo não está de todo errado em querer nos puxar pro agito. Claro que tem sempre um "falta de simancol" no meio, mas tem, também, o que quer nos ver bem.)
Quando eu fazia flog, todo dia postava fotos loucas, escrevia umas besteiras, sempre desvairando. Aliás, o desvairo veio daí. Fotos photoshopeadas, comentários nonsense, e o fato de estar sempre 'alegre' fez com que me chamassem de desvairada. Mas nem tudo é desvairo, né... E ninguém é 'alegre' 24 horas por dia, 365 (ou 6) dia por ano, e, de vez em quando - muito de vez em quando - eu postava fotos mais sérias, escrevia muito pouco, ou nada, e as pessoas simplesmente não gostavam, e reclamavam! "Cadê a Cris Desvairada?", "Queremos a Cris Desvairada!". Poxa, não tenho direito à tristeza, não? Isso fez com que eu me afastasse um pouco de lá, até deixar de fazer o flog. As pessoas COBRAVAM minha loucura! :| E eu não estava 'para desvairo'. Queria sossego, silêncio, sabe? Me sufocava aquela multidão em cima de mim. Ahhhh...
É insuportável estar num momento desses e ser condenado, porque "preferimos a fossa". Não se trata de preferir! God! Pelo menos, respeito.
Não sei se você está mesmo num momento desses, ou foi 'apenas uma reflexão'. Se estiver, sorry! Porque eu mesma fui no seu scrap toda eufórica com meu fim-de-semana livre de trabalho.
E, claro, para o que precisar, estou aqui.
bjs**

ps. Am I supposed to listen to the song? 'Cause I don't. :(

Bia disse...

Tem horas que a gente fica deprê, até mesmo chato. Nessas horas é que os amigos trigo aparecem e os joio somem.

O consolo é que o crescimento vem nas horas da dor, seja ela física, de alma, de espírito, de cotovelo ou, como diz um amigo, na ferida narcísica, rsrs.

Espero que no seu caso tenha sido uma observação, e não uma experiência, mas se for, bem vindo ao clube.

Não conheço a trilha sonora que vc sugeriu (taí uma idéia!), mas lembrei de outra, do Cartola: 'tire seu sorriso do caminho que eu quero passar com minha dor'.

Melodramático até o último. Mas quem não fica?