23 de jul de 2005

:: Troca ::

Estou cansado de tentar ser os outros.
“Cara, se eu fosse você faria isso.”
Você não é.
Por que incomoda, então, se não faço?

A impressão que às vezes tenho é a de que as outras pessoas conseguem sempre tirar o máximo proveito de qualquer situação ou circunstância por mais disparatadas que sejam suas atitudes, sob meu ponto de vista. Coisas que não me ocorrem na hora, e que dificilmente faria mesmo que ocorressem, são triviais para elas e parecem garantir sempre um retorno favorável. As mulheres mais espetaculares, as oportunidades mais imperdíveis e todos os bilhetes premiados parecem reservados sempre a esses outros; enquanto isso, crescem em progressão geométrica os perfis encabeçados pela combinação “odeio falsidade e hipocrisia”.

“Rapaz, liga e desmarca.”
Eu não sou assim. Não sou isso. Quiçá nem mesmo meus próprios conselheiros. Mas essas são as regras impressas na tampa da caixa. Estar adaptado à vida é isso?
Difícil me imaginar vencendo quando nem ao menos quero jogar. Não gosto de fingir sentir o que não sinto, de não expressar o que penso, a fim de me adequar.

É engraçado que no final o aprisionado por tudo isso seja eu. Os outros são os livres, são os que fazem o que querem.
Que façamos o que queremos é o que todos dizem esperar de nós. Mas se lhe mandam ser livre e você obedece, o é de fato?


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