19 de out de 2005

:: Tarja preta ::

Percebi que você me faz bem, mas não sempre. Que é alopatia no momento certo, mas em qualquer outro mais nociva que a doença. Que quando estou com você, ainda que me sinta bem, não me posso misturar, interagir, fazer qualquer coisa que exija atenção. Percebi que deve ser deixada fora do alcance da criança que há em mim, apontada sempre por seu dedo acusatório, e que nunca pretendi esconder.

Percebi que me faz bem ao coração, mas quando consigo preciso de quem me trate a alma. Que a dose certa me altera a realidade, e a vontade de mais pode arrebatar-me dela de uma vez por todas.

Percebi que pode causar dependência. Que é preferível a solidão, se é apenas dos sintomas que você me propõe alívio.

•••

5 comentários:

Lu disse...

Auto-medicação nunca termina bem... A menos que vc domine os conhecimentos necessários sobre a farmacologia da droga em questão...
PS: gostei daqui. Mesmo.
E a trilha sonora é de primeiro nível. =)

cris cidade disse...

Putz, que texto sensacional.
Evitar a droga talvez seja mais saudável. A questão é ultrapassar a fase da abstinência.
Beijo!

cris cidade disse...

Ei, cadê o meu comentário!? Você apagou???? Depois a culpa é minha...

cris cidade disse...

Achei o meu comentário.
Tá, tomei drogas também... Releve. Hahaha! Acho que tô com sono.
A parte das drogas era uma piadinha sem-graça.
Meio beijo (inteiro só daqui a uns dias).

Cris* disse...

Se eu te disser que esse texto teve quase o efeito de "cartola", você não briga comigo?
Sinto a mesma coisa em relação a alguém (não sei se você pensou em alguém específico para escrever, mas eu pensei quando li).
Vontade de te bater! rs.. Amo gente que escreve lindo assim! (ainda que, quando escreve, está, na verdade, libertando um desassossego 'interno'... )
bj*