29 de nov de 2005

:: Roschard ::

Tenho descoberto nuances em palavras que pra mim sempre foram absolutas.

Amizade é uma delas. Aplicá-la chamando alguém de amigo nunca foi pra mim a maneira de designar alguém com quem estudei na quarta série e de cujo nome já não tenho mais a menor lembrança. Alguém que xingou o professor junto comigo e que por isso partilhou de uma cumplicidade que durou o tempo que levamos pra percorrer a distância entre nossa sala de aula e o gabinete do diretor. Ou ainda quem me deu carona até o show e que de vez em quando encontro na rua para ter, na calçada, um típico papo-de-elevador: “vem frente-fria aí”. Amigo sempre foi o selo de qualidade a ser estampado na personalidade de alguém que, pra mim, vale a pena; e que, principalmente, me faz sentir também como alguém que vale a pena.

Perfeito é outra delas. Nunca consegui conceber que alguma coisa fosse mais ou menos perfeita que outra. Ou é, ou não é. Como ao viver dias que considerei perfeitos em seguida a outros aos quais já tinha concedido esse título; o mecanismo foi o mesmo que em qualquer eleição: o novo vencedor recebe a faixa do último, que fica esperando o momento de também passá-la adiante. Momento pelo qual, assim como todo mundo, trabalho e anseio.

Equilibrando-me para não escorregar na pieguice, não há como falar de tais palavras sem falar da amor. Nunca pensei ser possível amar alguém mais ou menos, apesar de sempre entender que se pode amar de maneiras diferentes. O sentimento, entretanto, sempre foi completo, em todas as suas vertentes. Por isso discordo quando ouço que um novo amor é a cura para outro antigo. O que houve permanece, intacto como foi, mas não significativo como foi. Vivemos em busca dos novos dias perfeitos, e o que pode trazê-los são os amores de agora, que significam agora, somando mais e mais para os momentos que virão. E fim. Palavra sempre tão categórica, pontual e definitiva; mas que, por existir, nos permite começar outra história; e novas histórias admitem em seus começos quaisquer palavras que desejemos empregar.

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Um comentário:

Bia disse...

Me deixou na mão... pra variar... beleza...beleza...