4 de dez de 2005

:: On-line ::

Ando cansado de acharem que tudo o que faço é por uma relação de causa e conseqüência. Que tudo é maquinado, de caso pensado, movimentos friamente calculados antecipando um possível futuro, como em um tabuleiro de xadrez.
Quisera eu ter inteligência a ponto de induzir outros a viver segundo as diretrizes que traço.

Impressiona que eu tenha tanta importância a ponto de ser assunto em rodas que nem mesmo freqüento. Que o que faço ou com quem ando seja relevante para pessoas que nem ao menos têm o número do meu telefone e que mal me cumprimentam quando encontro em um ou outro evento. Ainda assim, nas poucas palavras a mim dirigidas por elas, quase sempre está incluída a frase “aí Renato, já estou sabendo da novidade”. Novidade, vale dizer, que muitas vezes nem mesmo eu sei.

É a velha necessidade de projetar-se em um assunto alheio, uma vida alheia, uma especulação, para tentar fugir da mediocridade da própria vida. O que o outro faz, quanto mais mentirosa for a versão do ato, é sempre mais interessante que a rotina modorrenta a assombrar cada dia. Como disse Carlos Ruiz Zafón, “as pessoas estão dispostas a acreditar em qualquer coisa antes de acreditar na verdade”... principalmente na da própria vida. Aos plantonistas, se fazem tanta questão de saber, aviso que nada em meu comportamento vai mudar. O que pode mudar, então, talvez seja a direção dos seus holofotes. Deixo a sugestão que seja para a dos seus próprios assuntos.

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3 comentários:

Nina disse...

Você parecia estar realmente revoltado quando escreveu isso.
Entendo como é, pois passo pelo mesmo.
Bom saber que não estou sozinha e que há alguém que sabe expressar melhor do que eu o que também sinto.

Madison disse...

Não é de se negar que você escreve muito bem, apesar de não ser uma leitura, como vou dizer, muito "agradavel" (a palavra certa seria chata, mas melhor não). A associação com o site Kibe loco é imediata, mas logo de cara se nota que não tem o mesmo espírito alegre e bom de seu amigo, o que é uma pena, pois o seu modo de escrever é muito superior. Mesmo assim vou começar acompanhar seu blog. Gosto de um texto bem escrito, talvez seja inveja minha, porque nunca escrevo nada que preste e nunca cuido do que escrevo (pode se notar pelos erros de português e pela falta de revisão ortografica), mas tenho criticas na ponta da lingua.

Valeu, peixe!

SG9 disse...

Na próxima vez que usar uma palavra como "modorrenta", terei um orgasmo morfológico!