13 de fev de 2006

:: O Espelho ::

Tenho a mesma altura de quando tinha 15 anos. Meu aumento de estatura parou antes do que eu queria, mas a imaginação, acredito, continua crescendo para além do que deveria. Penso manter a mesma atitude diante do mundo, além das mesmas ambições que me acompanham desde antes disso: continuo achando que posso ser astronauta ou bombeiro, ainda que um dos maiores medos da minha infância tenha sido perder-me no espaço. É sério.

(Ok, ainda é uma idéia que me assusta.)

Acabei sendo educado a pensar como adulto. A me comportar como adulto, ainda que não me sinta como adulto (e, por dizer isto, provavelmente algumas pessoas vão começar a questionar se sou alguém que vale a pena ter por perto). Numa época onde a infância é sistematicamente mutilada pelas próprias crianças, não é exatamente algo muito producente a ser dito.

Abrir mão do que existe de infantil em nós é basicamente abrir mão de sonhar. Tornar-se adulto virou sinônimo de racionalizar, deixar de acreditar na fantasia, ainda que todos nos encantemos com Neil Gaiman ou Tolkien. Tomamos por ridículos aqueles que pensam e enxergam o mundo além da lógica e dos regimentos sociais, enquanto nossa essência se perde a cada criança que descobre que são os pais que deixam os presentes sob a árvore de Natal.

Não finjo ser alguém preparado para enfrentar o mundo como ele quer se mostrar (e sei que outra grande parte das pessoas que ainda achavam que eu era alguém que valia a pena ter por perto acaba de mudar de idéia); ainda fantasio, ainda sonho, ainda enxergo mais nas sombras do que a simples ausência de luz; ainda penso no que ocorreu durante os milhares de anos que a de uma supernova (possivelmente já extinta) levou para enfim ser vista por nós aqui, e viajo nas distâncias instransponíveis que nos separam dela. Prefiro pensar que há dimensões paralelas de onde somos observados, e que não há explicação para a construção das pirâmides ou sobre a origem dos moais. Não procuro, e nem quero, encontrar a lógica em tudo.

À porcentagem de pessoas que descobriu que não sou alguém que vale a pena ter por perto, digo que fique à vontade para encontrar outros pares. Pra mim, o que sempre houve são os 100% que restam.

Nem tudo o que eu penso é construtivo. Nem tudo é útil. Nem tudo é sequer coerente.
Espero preservar-me assim durante mais tempo do que a sociedade exige, ao invés de tornar-me um autômato com a simples finalidade de gerar recursos.

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Um comentário:

Lu disse...

Amém. =)