24 de fev de 2006

:: Vento ::

Procuro desesperadamente por um defeito em você que me convença de que foi melhor lhe ver escapar por entre meus dedos, ainda que eu nunca tenha, de fato, segurado-a em minhas mãos.

Você não tem tornado a tarefa fácil.

Sinto um ciúme terrível de tudo aquilo que não é meu. E quando vejo esse abismo de amizade tornando-se cada vez maior, grito afônico ao me dar conta de que acabamos por ficar em lados diferentes.

Curioso como todo mundo parece sempre saber o que fazer em situações como essa. Abundam conselhos. Mas quem vê de fora as vidas dos conselheiros enxerga nelas tanto mais do que eles próprios que se torna difícil dar crédito às palavras. Além do mais, é fácil dizer “não se apaixone” quando o coração em questão é o de outro ou “não ligue” quando não é o seu telefone que está mudo.

Ando cansado de jogar. Talvez nunca tenha aprendido as regras. Me confunde o despreze para ser valorizado, o não procure para que sinta a falta, o não elogie para não ficar em suas mãos.

Mas regras são regras, aceite-as ou não, aprenda-as ou não.

Preparo-me para ouvir dos meus conselheiros que não deveria ter escrito nada disto aqui. É outra coisa fácil de se dizer quando as palavras que exigem liberdade estão em outros olhos.

Já no meu caso, também elas me escapam pelos dedos.

•••

3 comentários:

Graziele disse...

Oi!

Mandei um email, porque o comentário foi grande!
Beijos.

Jorge disse...

Eh, eu entendo dizzo tb.... entendo e tb naum compreendo, e nesse infinito desgosto de cada dia se vc descobrir como inventar a tal felicidade, estou ouvidos para seus conselhos.......

Serbon disse...

belíssimo texto. passo por situações semelhantes.
vc soube traduzir o momento sem cair na pieguice.