17 de mar de 2006

:: In Vitro ::

O medo que muitas pessoas têm de fazer algo diferente daquilo que se convenceram ser sua função pelo resto da vida as leva a aconselhar erroneamente outras, que pensam haver mais possibilidades do que seguir na fila com o restante das formigas. Medo esse que se confunde com a falta de coragem de levar adiante os próprios sonhos, já sufocados sob toneladas de conveniência.

Sonhos raramente enquadram-se em convenções.

Para 2006, tomei uma série de decisões que externei para pouquíssimas pessoas. Nenhuma dessas decisões está no texto que postei aqui no Ano Novo – e isso não porque o plagiei, como tantas pessoas acusaram-me de ter feito antes mesmo de procurar se informar, mas porque sei que as sugestões para que eu não as levasse adiante seriam tantas que eu me arrependeria do momento em que abri a boca para dizer quais são.

Aquelas para quem contei já foram quase o suficiente para esse arrependimento. Claro que houve quem aprovasse e incentivasse, mas não faltaram palavras contrárias, reprovações veladas e, pior, falsas aprovações. Acho que quase todas supuseram que eu estava falando da boca pra fora – prova de que não me conhecem como pensava. Agora que tudo começa a acontecer, o que perguntam é se vou realmente levar a sério "essas idéias".

Claro que vou.

Percebi que se há algo que queremos fazer e que não depende de muito mais do que nossa própria iniciativa para acontecer, é urgente fazê-lo. O ser humano está em constante busca de aprovação, uma vez que fomos condicionados a viver nessa busca, mas nossa realização pessoal dificilmente vai passar pelo crivo daqueles que nos cercam. Ainda que mais à frente o caminho pareça não ter levado a lugar algum, ao menos vai silenciar a eterna voz sussurrando “e se” em nossos ouvidos. Deixe que ela vá ocupar-se com outra pessoa... provavelmente uma das que antes chamavam-nos "loucos". Do que adianta o acordar-trabalhar-dormir-acordar se disso não pudermos tirar alguma coisa que seja realmente para nós, algo que seja mais que pagar pelo direito de existir? Qual o propósito?

Sigo adiante com minhas loucuras. Nunca fiz mesmo questão de parecer são.
•••

2 comentários:

Lu disse...

Carpe diem, sempre.
[ao som de Fiona, melhor ainda. =)]

Eriane disse...

O direito de ser deveria ser inalienável. Ser por nós mesmos, e isso não é apenas, é tudo.
Quantos não nos aprovam porque, de alguma maneira, sentem-se frustrados por não conseguirem nem mesmo querer?