3 de mai de 2006

:: Epílogo ::

É verdade: eu tinha algum receio de ir à festa por saber que você provavelmente estaria lá. Você e o tal cara. Como não há meia confissão, ei-la por completo: quase não fui.

Mas fui. E a vi. E a vi com o cara, o tal cara. Sabe como me senti?

Indiferente.

Tão indiferente que tive vontade de rir, e ri com gosto: ninguém sabia o motivo. Devem ter achado que eu estava bêbado ou louco, pouco importa. O que é importante é que você já não o é. Não mais. Já não lhe achei a garota mais bonita, nem o alvo de todos os olhares. Ainda que fosse de muitos, roubei-lhe a totalidade: olhei-a uma vez, para concluir que era o bastante e então ocupar-me de mim.

A música ficou mais alta. As cores mais fortes. A sombra que você lançava sobre meus olhos, enfim, desvaneceu. Nem soube mais que horas eram, ou a hora em que foi embora, ou a em que fui eu.

Percebe? Sim, percebe. Meu telefone identificou sua chamada no dia seguinte, a primeira após dois meses.

(Dois?)

Havia algo a me dizer agora? Enfim? Seja o que for, guarde consigo. Ou, se quiser, fale com o cara. O tal cara.

De minha parte, aviso: para os próximos capítulos, não lhe reservo mesmo uma nota de rodapé.
•••

4 comentários:

Beatriz disse...

hahahahaha

faço minhas as suas palavras...

Eriane disse...

Para Beatriz, a musa dantesca,

Ah! então é você...tá parecendo dor de cotovelo.

Graziele disse...

A realidade, matéria tão essencial da nossa criação, certo?
Espero conseguir isso que você conseguiu, nenhuma nota de rodapé, nada de nada (estou quase lá).
Continuo adorando seus textos!
Beijinhos.

Beatriz disse...

Hã???
Sry, não entendi.
Alguém me explica?