9 de mai de 2006

:: Primae Noctis ::

Naquela noite a chuva batia com tanta força na vidraça que era preciso falar alto pra se fazer ouvir.

Desde a tarde o céu vinha fazendo ameaças veladas, desfilando nuvens carregadas por detrás da montanha da pedreira. Junto com ela, aliás, parecia brincar, fingindo trovões com a explosão abafada da dinamite. Mas o cheiro carregado na brisa, o vento soprando por entre as folhas e o barulho das campainhas de Feng Shui em alguma porta perdida denunciavam a traquinagem, como o gato escondido dentro da sacola com a cauda inteira para o lado de fora.

Não era a ocasião para dizer qualquer coisa que não fosse exata. Qualquer galanteio soaria cafajeste, qualquer frase bem-humorada, cretina.

Falei só o que devia, em silêncio.
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2 comentários:

leticia disse...

estou esperando a próxima já..

Augusto disse...

Por que nao da continuidade e escreve logo um livro?