19 de jun de 2006

:: Tikkun Olam ::

A infantilidade de algumas pessoas é tão irritante que deveria ser desprezada.

Por pura falta de conteúdo, fogem do tête-à-tête. Não têm coragem de assumir o que pensam, o que falam. Ou, pior, preferem nunca ter que pensar ou falar qualquer coisa que seja realmente significativa. Vivem na superficialidade, sempre.

Há tempos percebi que é muito mais complicado viver em cima do muro do que assumir uma posição, por mais radical ou louca que possa parecer para alguns. A sinceridade como modus vivendi não é algo muito bem visto numa sociedade onde a hipocrisia é uma instituição.

Pouco importa. Ao menos sei o que sinto, o que pretendo, e também o sabem aqueles que estão à minha volta. E quem não está, afinal, é porque não deveria estar mesmo.

(Ainda que haja quem goste de estar cercado por pessoas que não sabe de fato quem são.)

Experimente, um dia, tentar mostrar-se como é a quem lhe cerca. Conte, depois, quantos são os que permaneceram ao seu lado. Se todos, se um, se nenhum: seja qual for o saldo, saiba que são esses os que de fato estiveram consigo todo o tempo.

Os que se foram, com certeza, vão falar de você para outros. Importa? Pense: talvez tenham sempre falado.

Se é por falta de adeus, bon voyage.

•••

2 de jun de 2006

:: Déjà Vu ::

Quisera, de alguma forma, lhe arrancar da cabeça. A fórceps, diluída em vinho, desfeita em conversas de bar, soterrada em imipramina, desvanecida em palavras entregues aos ouvidos saturados dos amigos.

Quisera acordar liberto e ver no amarelo do sol apenas o calor de outro dia, e não a cor dos cabelos que, como os raios do astro-rei, lhe caem por sobre os ombros e alcançam-me no chão.

Quisera esperar a noite e enxergar o coelho na lua, sem lembrar que são dela todos os amantes. Quisera não mendigar, com minha mentirosa indiferença, seus olhares, sorrisos e gestos.

Quisera eu nunca lhe ter conhecido. Talvez, agora, houvesse paz. Talvez eu tivesse mais a lembrar do que aquilo que não vivi.

•••