2 de jun de 2006

:: Déjà Vu ::

Quisera, de alguma forma, lhe arrancar da cabeça. A fórceps, diluída em vinho, desfeita em conversas de bar, soterrada em imipramina, desvanecida em palavras entregues aos ouvidos saturados dos amigos.

Quisera acordar liberto e ver no amarelo do sol apenas o calor de outro dia, e não a cor dos cabelos que, como os raios do astro-rei, lhe caem por sobre os ombros e alcançam-me no chão.

Quisera esperar a noite e enxergar o coelho na lua, sem lembrar que são dela todos os amantes. Quisera não mendigar, com minha mentirosa indiferença, seus olhares, sorrisos e gestos.

Quisera eu nunca lhe ter conhecido. Talvez, agora, houvesse paz. Talvez eu tivesse mais a lembrar do que aquilo que não vivi.

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3 comentários:

Leticia Lassance disse...

A-D-O-R-E-I !!!

Beatriz disse...

Deviam inventar um remédio que apagasse a memória seletivamente, não? O inventor ia ficar milionário!

:D

Consola saber que outros mortais sofrem do mesmo mal, rsrsrs...
Ainda bem que tem gente como vc pra traduzí-lo.

Adorei o texto, esse eu não tinha lido.
Pra variar, mt bem escrito!

eternal sunshine of the spotless mind... disse...

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