26 de jul de 2006

16 de jul de 2006

:: Beco ::


Eu passei em frente, parei um pouco. Pensei demais, segui.
Talvez fosse o caso de ter entrado, não sei. Do que me serve o “e se”?

Percebi o som alto, muito, a música era alguma que não tinha letra: não letra como se entende, como faz sentido. Era de uma frase só, repetida à rouquidão. Mas não é assim que fazemos também? Sem sentido, repetimos sentimentos, vamos juntos à exaustão para, apenas, começar de novo. Chovia um pouco, eu lembro. Chuva fria e fina. A lua, gorda, branca e brilhante, fazia da água no asfalto um outro céu. É assim, afinal: se não há quem nos leve ao alto para ele, eis que nos vem buscar em nossa solidão. É do chão que nascem as estrelas dos solitários.

Agora é o momento para ouvir Sade na voz de Timmy Thomas:Why Can´t We Live Together? Uma versão que sempre me entrega, esteja eu onde estiver, para o cabaré mais mal iluminado, mais mal frequentado, forrado por carpete vermelho manchado, pontuado por mesinhas redondas de madeira e velhos pigarreando queixas oleosas dentro de ternos baratos, submerso em uma nuvem intransponível de cigarro barato ou de charutos enrolados em papel.

Sinto gosto de conhaque mesmo sem jamais ter sorvido um gole.

Vem a ressaca pela manhã. Quisera eu um pedaço de pizza já velho, em uma caixa já engordurada, jogada perto da porta, para adiantar um pouco esta reprise.

Nada de sol amanhã, por favor.

Curioso como essas coisas acontecem sempre às terças ou sextas.

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2 de jul de 2006

:: Água ::

Há semanas estou entorpecido. Difícil pensar. Sono durante todo o dia. À noite, pouco. Difícil encadear um raciocínio, e logo em um momento em que há tanto acontecendo: me assombram fantasmas do passado, me assustam as folhas do calendário que caem antes mesmo que eu possa ver que dia marcam.

A velocidade é alucinante, inebriante. Me sinto espectador de histórias que me passam diante dos olhos, uma aparição incapaz de interferir no que vê. Emudecido, submerso, encurralado entre a moral e o “será?”

Ah, as conclusões. Sempre imprecisas, sempre tão claras para quem as têm. Não admira que tanto se caminhe em direção alguma.

Em algum momento, será mais distante voltar ao início do que seguir até o fim.

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