Há semanas estou entorpecido. Difícil pensar. Sono durante todo o dia. À noite, pouco. Difícil encadear um raciocínio, e logo em um momento em que há tanto acontecendo: me assombram fantasmas do passado, me assustam as folhas do calendário que caem antes mesmo que eu possa ver que dia marcam.
A velocidade é alucinante, inebriante. Me sinto espectador de histórias que me passam diante dos olhos, uma aparição incapaz de interferir no que vê. Emudecido, submerso, encurralado entre a moral e o “será?”
Ah, as conclusões. Sempre imprecisas, sempre tão claras para quem as têm. Não admira que tanto se caminhe em direção alguma.
Em algum momento, será mais distante voltar ao início do que seguir até o fim.
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