10 de ago de 2006

:: Sísifo ::

Chega. Decidi que não vou mais me apaixonar. Não vou mais pensar na aproximação, nas possibilidades, em roubar um sorriso perdido ou uma palavra dirigida.

Decidi que não vou mais voltar pra casa à noite esperando o dia seguinte, na expectativa de que algo novo aconteça quando tudo o que muda é o número no calendário: é o Feitiço do Tempo, comédia no cinema, drama na vida.

Decidi jogar fora meus cds da Sade, do Morrissey, do Tunde, do Teddy Geiger e todos os que começam a tocar sozinhos quando a noite cai. Decidi fugir de qualquer filme com Ralph Fiennes, Meg Ryan ou Jennifer Aniston. Ver mais Romero Brito e menos Mark Ryden. Decidi não ir a qualquer restaurante onde cada mesa tem sua própria luz, ou onde o cardápio de bebidas é separado do de refeições. Decidi ir à praia somente com o sol a pino, mas fugir da areia quando é a vez da lua iluminar o mar. Decidi beber apenas vinho suave e dispensar o tinto seco. Recusar convites para fondue e para finais de semana na serra, e esquecer as cores que tem o sol quando nasce e quando se põe.

Decidi guardar o edredon no armário e cobrir-me só com cobertores. Retirar o dimmer do quarto e instalar uma lâmpada branca, intensa. Comprar mais pilhas para as lanternas e jogar fora todas as velas. Dormir com um travesseiro só e não usar mais toalhas azuis, que me dizem que ao seu lado deveria estar uma rosa.

E em rosas, aliás, também decidi não pensar mais. E decidi comer qualquer chocolate, mas bombons, jamais. Usar qualquer perfume, mas nenhum dos que ainda tenho. Trocar o carro pela moto, e as três da manhã pelas dez da noite.

Decidi não chorar mais. Nem sentir mais. Nem querer mais.

Mas ali está ela.

Bom, ok. Talvez só mais uma vez.

•••

7 comentários:

fausto disse...

u know what? “as good as it get”!

cds q tocam sozinhos é o melhor da história...

“don’t worry n b happy” (not my style, though)

Beatriz disse...

Me lembrou aquela do Noel Rosa, Pela décima vez:

Jurei não mais amar pela décima vez
Jurei não perdoar o que ela me fez
O costume é a força que fala mais forte do que a natureza
E nos faz dar provas de fraqueza

Joguei meu cigarro no chão e pisei
Sem mais nenhum aquele mesmo apanhei e fumei
Através da fumaça neguei minha raça chorando, a repetir:
Ela é o veneno que eu escolhi pra morrer sem sentir.



Agora falando sério: a gente só reconsidera nesses casos pq temos muita nobreza de caráter e nunca negamos uma segunda chance a um pobre infeliz.
Mas é só dessa vez, eu juro!!!

:)

tsc, tsc, tsc...

Gabi disse...

Nossa, como eu adoro os seus textos, Rê. São tão profundos, tão bonitos, tão... queria escrever como você, de verdade, moço da página 63.

E eu queria outras coisas também, de vez em quando.
Vai saber...

Beijo bem grande!




PS.: Quando li a parte do "joguei meus CDs fora", eu comecei a ficar preocupada. HUAUHAUHAUHAUHA
Um beijão!

Gabiii disse...

O orgasmo literário engravida?
Essa é a última vez, eu juro! Huahauahaua




Nossa, acabei de perceber que botei o link do blog do tal Omar Bravo e não o meu.
Toing! XD *bate na testa*

A que vinha anonimamente, mas que agora te aperta mesmo!! disse...

Ai, Renato. Vou te bater!

Aproveitando-me da idéia da Gabiii, e com base no sêlo OV que lhe foi concedido - rs... - acaba de ser criada uma nova sigla, inspirada em você:

OL!!! hahahaa

Esse texto causa OL! Perigo!!! rs........

beijo!

Lu disse...

Se quiser perder seus cds aqui por Fortaleza, farei bom uso deles.

Prometo.

Jackie disse...

"O PRAZER SÓ SE JUSTIFICA QUANDO ESTE FOR INFINITAMENTE MAIOR QUE O MEDO"
Jamais perca as esperanças no amor.
Pense e e seja feliz se renovando permanentemente.