29 de dez de 2006

:: Epílogo ::

E sabe o quê?
Já não me importo mais. É libertador.

Se foi, se é ou se vai ser, pouco importa. Assim, tanto faz o que se faz da sexta à noite, do sol de sábado ou do que acontece sob a bênção da lua.

Sigo indiferente, como toda a gente. Essa gente que me trouxe até aqui, onde já não me importo mais.

Se há o ritmo do verão, tenho meus cds. Se há o lugar da moda, fico no meu. E que fiquem todos onde querem, onde devem, ou onde devem achar que querem.

Não preciso de novo do que já tive, mais vezes do que queria, se alguma vez quis, e insistente repeti, até cri. Mas foi só o mesmo cd que voltou e tocou repetidamente madrugada adentro.

Mas o que importa?

A mim, mais nada.

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22 de dez de 2006

:: Galé ::

Ah, tinha certeza de ter encontrado o amor.
Então ela mandou que eu procurasse um pouco mais.


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16 de dez de 2006

:: Crase ::

Aguardo, ansioso, que você passe à noite aqui.
Aguardo, esperançoso, que você passe a noite aqui.

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10 de dez de 2006

:: Noite ::

Eu não tenho medo. - Respondi - Solto sua mão em minha cama porque vou pegá-la outra vez em meu sonho.


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2 de dez de 2006

:: Lâmina de Ockham ::

Eis o que escrevo agora: floresta. O quanto matei? Que caminhos existem a partir daí? Quais não existem mais? Para onde poderia ir, escrevendo, em seu lugar, “aqueduto”? Ou “coluna”? Ou “genuflexório”?

A folha virtual à minha frente, branca e inocente, é infinita. A palavra desenhada em fósforo é a cerca entre mim e o todo. Cada uma das letras é uma guilhotina de possibilidades, é um delimitador, é o que me leva a um lugar enquanto impede que vá a todos os outros.

Criar é, mais do que tudo, destruir.

A primeira letra: F. Desta letra, solitária, já não saem barcos e seus vikings em luta contra a fúria do mar e dos exércitos inimigos, no caminho de suas conquistas. Desta letra já não se contam as histórias de ninar, com seus “era uma vez”. Não há viagens, nem planetas, nem cosmos.

Mas, da floresta, nascem elfos e curupiras. A luta de Chico Mendes. O imperialismo americano. Ents.

O quanto morre a cada letra que nasce? O quanto pode-se caminhar enlouquecido pela coerência sufocante, pelo fazer-se entender mais do que por ser entendido?
Quero, preciso, dizer tudo ao mesmo tempo. Já não mais permitem florestas nuvens com som avoado verde-água. A floresta deve ser densa, ou fria, ou devastada. Deve ter animais ou índios ou uma reserva. Deve ser verde. Deve ter árvores. Porquê?

Me devolvam o céu abaixo, dormente, despido do cálcio amalgamado de convenções febris.

Não quero viver tolhido pelo nexo. Quero o ar e a imaginação. Que venha a estrada, aberta, sempre.


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