26 de jan de 2007

:: Editar ::

Ainda há quem insista em dizer que me conhece por causa da meia dúzia de coisas que digo; como se uma frase fosse suficiente para definir uma vida de sentimentos, de sonhos, de experiências, de significados que só eu percebo e de aparentes derrotas que aos meus olhos não representam nada.

Parece heresia se algum dia disse gostar de tal música mas hoje não tenho vontade de ir ao show do seu autor: como se a expressão de um pensamento tornasse inadmissível uma reconsideração, uma nova descoberta. Nunca pretendi seguir como uma locomotiva, andando por sobre os mesmos trilhos até o fim da vida. Descarrilhei há tempos. Prefiro as estradas, com suas bifurcações e cruzamentos

Imaturo, talvez. Mas que importa, quando parece que ser maduro é apenas sonhar sonhos sonhados há tanto, por tantos outros? Jamais quereria viver como a imitação de alguém, ainda que de mim mesmo.

Se o preço para tornar-se um verbete é não repensar, dispenso as enciclopédias.


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19 de jan de 2007

:: Legenda ::

Entreguei tanto que você não quis receber: são daquelas palavras que não páram nos dentes.

Por que me olha como se não conhecesse? O que há que me transforma em um estranho? Melhor seria se nunca me tivesse visto, considerado, pesado, tentado. E agora, a dor da dúvida pelo que fiz - ou não fiz - e pelo que é responsável por essa distância que nunca quis.

Não aprendi a ter raiva. Quisera tal bênção, para virar a página e seguir adiante. Mas resta que me olhe como quem não vê. Ignora tudo o que foi. Então pergunto "e o que foi?" Que maldade nova é essa, uma amnésia passiva, cultuada e embalada?

Já o que lembro, mantenho para mim: longe de onde você possa roubar.


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5 de jan de 2007

:: Indulto ::

Conheço mais sentimentos do que conheço palavras.

Talvez por isso seja este prisioneiro do vernáculo,
a quem nenhum habeas corpus pode dar esperança.


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