23 de mar de 2007

:: Continuum ::

Quanto a mim, já estou muito além do cansaço. Muito além da desistência. Já persigo o sonho que se afasta a galope: respiro fundo para vencer pelo cansaço. A prova é de resistência, entenda: por muito tempo cri na velocidade. E pela velocidade, amigo, há lebres largadas, esbaforidas, com suas línguas estendidas sobre o asfalto.

Vejo ao longe o que parece o alvo. Se é miragem, quero-a do mesmo jeito: de nada me serve a solidez servida até hoje. Carteira assinada, carteira de motorista, identidade: perde-se o número, perde-se a própria. Se não deixam conduzir, sigo a pé para onde for.

Conheço as pedras que tentam me fazer tropeçar. Sei seus nomes, seus endereços e o quanto dizem ser um apoio quando o que querem é arrancar-me a pele dos pés.

Quero pra mim o futuro que a musica inspira, o piano de Comptine d'un Autre Été. O que é guardado mais do que o que é conseguido. Há palavras, sim, para todas essas coisas. E as que dizem "não pode", "não dá". Sob quais termos? Sigo adiante, teimoso e fiel. E chego, como Gabriele Andersen, sob aplausos ainda que apenas os meus próprios.

E de lá... ah, sim, de lá... sei que vou lhe ver.


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