25 de mai de 2007

:: Clastomania ::

Prefiro sentir a viver no meio, descontente, domado, domesticado, cercado por tantas palavras perniciosas, de sentido duvidoso e objeto dilacerante. Chega de comprimidos embalados um a um, dizendo “durma”, “acorde”, “mexa-se”, “relaxe”. Quero a insônia (se é você quem não me deixa dormir), quero o torpor (se é você quem me ilude com palavras), quero a tensão (se é você quem fica em silêncio), quero o peito apertado (se é você quem não me deixa respirar).

Quero a lama se é por lá meu caminho ao sol, quero a fadiga por tanto correr, ainda que pareça impossível alcançar. Quero os sabores, cores, cheiros e dores como são, quero a essência, quero livrar-me dos dias pasteurizados e das noites dormentes, das paisagens que só existem em descansos de tela e dos almoços festivos às sextas-feiras.

Quero a produção do que tenho a produzir e não do que esperam que faça com as armas que me dão: eis-me depondo todas.

Quero quem sou, e não aquilo que você projeta de mim.

Não quero viver no meio, porque não quero ser um produto dele.

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