23 de jul de 2007

:: Carona ::

Ele passou pela porta do restaurante umas três vezes, quando era, talvez, meio-dia e meia: almoço no Eco, mais olhos do que nos finais de semana desertos entre a gelateria da Parmalat e o Iguatemi.

Não há como negar: o Audi TT prateado chamava a atenção, de capota arriada. Parado, mas com o motor roncando alto, o homem disfarçava o olhar por dentro dos óculos escuros tentando perceber quem é que, de lá do restaurante, olhava para seu Audi TT prateado e de capota arriada.

A primeira vez, alguns. Em minha mesa, ouvi alguém comentar que aquilo sim é que era um carro. Outra pessoa afirmou categoricamente que tinha a mesma plataforma do Golf. A menina do atendimento ainda estava ao celular, e desligou perguntando para nós sobre o que é que estávamos falando.
- Do TT que estava ali fora.

Voltamos para o cardápio, cada um pediu o seu, e eu o mesmo de sempre.

Os pratos chegaram junto com o TT, em sua segunda ronda. Comportamento idêntico ao da primeira: pisa no acelerador, disfarça o olhar.

A menina do atendimento:
- Esse?

- É.

Voltamos ao assunto em que estávamos, que era nenhum. E quando veio o expresso e a água com gás (com gelo e limão), veio o Audi em sua terceira tentativa.

Dessa vez, nenhum olhar. E ele foi, triste, para não voltar mais.

Pedimos a conta, fomos embora. Quando saíamos do restaurante, vimos um Hummer estacionado. Enquanto entrávamos no taxi, alguém disse:

- Isso sim é um carro.

...

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