15 de out de 2007

:: Metrônomo ::

passa a vida, passa o tempo certo
troca a tina, vai um outro inverno
muda o tom, renova a tua forma
do princípio incerto até o fim
desfez comigo a sua trajetória
e não refez o que veio de novo
com tanta dor eu canto à minha glória
enquanto vejo com o canto do olho
fumaça densa me despe a memória
e álcool puro lhe manda pra longe
mas de manhã respiro entre os nervos
solto o suspiro que não pode ouvir
a solidão pra mim tem o seu nome
e a desesperança o mesmo endereço
o som do telefone não diz nada
nem a voz me traz qualquer apreço
sozinho, vêm lembranças de um sonho
e toda a realidade que não vivo
dobro a esquina de um outro ano
e o neon reflete na sarjeta
mesmo assim espero algum sentido
e tiro meu sorriso da gaveta

o futuro já não soa tão distante
se guardo a carta que tenho comigo
quando a memória me derruba a fronte
dou seu nome às marcas em meu cenho

você ocupa todo o horizonte


...

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