18 de nov de 2007

:: Anáfora ::

Então tá.

Que atire a primeira pedra quem nunca cansou de bancar o indiferente, pegou o telefone e ligou. Que grite “infantil!” aquele que nunca ficou ao lado desse mesmo telefone, esperando uma ligação que tantas vezes não veio. Que aponte o dedo quem nunca puniu a si mesmo, imaginando que poderia ter feito alguma coisa diferente, que poderia ter falado mais ou falado menos, que poderia ter agido mais ou agido menos, que poderia ter proposto, ou mudado, ou deixado, ou qualquer outra coisa, (não importa o que tenha de fato feito), crendo ingenuamente que, assim, talvez o desenho dos dias apresentasse linhas diferentes.

Eis, no entanto, as linhas que tenho: muitas vírgulas e reticências, poucos pontos finais.

Que se pronuncie aquele que alega saber como agir certo; quem pode, afinal, conhecer a profundeza dos desejos de outro, tão indecifráveis mesmo para quem os têm? Quem pode entender o que diz o ar de um suspiro, ou saber como é que você me vê quando ouve seu nome em minha voz?

Eu sou apenas isso, o que sou: feito de desejos, sobrevivente de sonhos, vivendo o meu capítulo da velha história dos relacionamentos. E foi agora que encontrei você: um nome a resumir tudo o que quero.

Comece, então, esse parágrafo.


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