5 de nov de 2007

:: Compasso ::

Apenas um minuto bastaria.
Se você pudesse ver o que vejo,
sentir o que sinto,
pensar como penso, entenderia.

Saberia que há os momentos pelos quais espero tanto, há tanto, que quando os tenho temo sua fuga: a vontade de que sejam perfeitos faz palavras e ações escaparem, atrapalhados, ao controle; perceberia que o que busco para lhe dizer desaparece quando seus olhos miram os meus: que restam suspiros e sorrisos, que então lhe ofereço, e que dizem mais do que saberia expressar.

Compreenderia que me perco em você quando a tenho nas mãos, e que sempre penso que poderia ter feito mais e melhor: e que, assim, você seria minha e de mais ninguém.

Se por um minuto você estivesse em meu lugar, perceberia que a dificuldade em dizer o que sinto vem de não existirem palavras para descrever à altura: mas que nada poderia ser mais verdadeiro, mais autêntico, mais seu. Saberia que a confiança que tenho em poder lhe fazer feliz vem da certeza de que não resta espaço para outra possibilidade: você ocupa toda a extensão do meu sorriso. Que a quero não por uma tarde, não por uma noite, mas para todas daqui por diante: e que, a cada uma, me tornarei mais eu, na medida em que posso ter mais de você.

Você entenderia que as regras não se aplicam, que os sentidos mudam de direção; que, ao afastar-se, você me distancia de mim mesmo. Veria que um novo caminho já está à sua frente, e que basta dar o primeiro passo.

Você saberia que é possível.

Apenas um minuto. E, a partir dele, toda uma vida.



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