7 de jan de 2008

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E foi neste ano que ficamos mais velhos, e mais gordos, e (dizem alguns) mais sábios, como se a idade fosse imposição de saber o que fazer, ou de saber para onde olhar, ou para onde ir, como se (mais velhos) todas as nossas palavras ganhassem mais importância, ou melhores adjetivos, ou simplesmente a conivência daqueles que sabem (ainda que sem se dar conta) que têm mais anos à frente do que o resto de nós. E foi neste ano que vimos tudo acontecer do mesmo jeito que já aconteceu no ano passado, e no anterior, e antes desse; como viram nossos pais do alto dos seus trinta anos, e, lá, constataram que as coisas continuavam as mesmas do ano anterior, e do anterior, e do anterior. E foi neste ano que choramos amores perdidos, choramos amores correspondidos, e choramos o amor pelo amor: o que vem, o que vai, e o que nunca viria. E foi neste ano que lamentamos o que houve e o que não houve, e o que haveria se fôssemos outros e fizéssemos outras coisas. E foi neste ano que tudo foi o mesmo, porque nós somos os mesmos, ainda que mais velhos e (dizem alguns) mais sábios. E foi neste ano que lamentamos nosso time, nossos campeonatos, nossas disputas: que prorrogamos a auto-piedade para um momento além da atitude, que procrastinamos a dieta, e a mudança e uma nova postura; e foi neste ano que deixamos para o próximo a concretização de um sonho, e nosso “um dia eu faço isto”.

E foi neste ano, como no anterior e ainda antes desse, que houve um fim: para nos dar, assim, a possibilidade de um novo começo.

Que venha, então.


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