11 de fev de 2008

:: Rengaine ::

O dia inteiro de chuva dera lugar a um céu estrelado: o meio da madrugada, talvez umas três ou quatro da manhã, enquanto ele voltava para casa (primeira janela de frente para rua, logo acima do restaurante chinês, eternamente enfumaçado), estalando a sola do sapato em todas as poças d'água pelo caminho. No imenso frio da noite parisiense, as baguettes recém-saídas do forno aqueciam suas mãos, enquanto ele dobrava na Rue de Le Petit Hotel, e lhe presenteavam com o aroma de queijo e orvalho.

Mais à frente, um homem de já alguma idade, sentado no meio-fio. Olhar fixo em uma das tais poças pelo caminho, pés afastados, respiração distante.

Fora uma noite perfeita: era inadmissível qualquer porção de melancolia. Resoluto, oferta um de seus pães como acalento àquele homem.

- Muito obrigado, jovem. - disse o presenteado, desviando brevemente o olhar, com um francês de quem não havia começado seus dias na rua - Mas olhe lá as conclusões a que chega.

O rapaz, surpreendido, franziu a testa.

- Só olho para esta água - continuou - porque nela vejo as estrelas.


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