30 de jun de 2008

:: Ido ::

Ela sai agora.
Sai porta afora, agora.
Não olha pra trás, para o que ficou pra trás.
Passa e sai.
E já saiu, agora.
Desceu as escadas.
Passou da porta, vai porta afora.
Porta afora, agora.
Deixou a casa pra trás, a casa e a porta.
Viu o mundo à frente.
Saiu afora, agora.
Ela sai agora.
Não olha pra trás, agora.
Reviu, viveu, meneou a cabeça.
Meneou a cabeça e saiu, agora.
Refez o caminho, refez todo o caminho.
Repensou, refez, viveu o caminho.
Tirou os sapatos, os pés dos sapatos.
E foi à calçada, a calçada dos fatos.
Pela porta da rua ela sai.
Sai para a rua, agora.
Porta afora, agora.
E vê a cor e o sol e o dia.
O dia que faz agora.
Que ela faz, agora.
E caminha sozinha.
Está sozinha agora.
Dos anos que vêm, se vêm, que venham.
Venham todos, agora.
Eis que ela sai.
Sai porta afora.
Enfim, porta afora, agora.
E quer os anos de volta.
Quer todos de volta agora.
Os que não teve, os que queria.
Requer todos, agora.
Eu a vejo de longe.
De ainda mais longe, agora.
Eu a chamo, mas não me ouve.
Já não me ouve agora.
Parto resoluto em soluço.
E no soluço, vou-me embora.
Vou-me embora, agora.

...


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