25 de ago de 2008

:: Delírio ::

Eu vejo o mar em seus olhos.

Vejo a maré mexida com as luas, mexendo seus sentidos.

Uma das partes sempre quer mais; temo ser o que quer por nós. Eu a disputo com a lua de Búzios, com a areia fria em seus pés. Não sei se posso, se consigo, reajuntar-me nos cacos desfeitos no chão.

Penso mais do que quero.

Mas é você, é você, eis você, com meu coração há tanto afogado no seu. Eis-me aqui, este poço artesiano de insegurança insana: quero esconder-me tanto quanto me posso ver perdido, sozinho, tentando voar com esta asa quebrada, desfeita.

Ela vem de um sonho, caminha descalça; vem carregando nos ombros sua miríade de argumentos e de culpa e de cansaço.

Já não pretendo entender.

E a quem queira colher, distribuo o que levo no peito: a dor do nexo, de um porquê, de um sentido, de destino, de lucidez; não a quero loucamente como quereria a loucura, mas a quero em razão, e é esta a própria. Eis o zelo: esta busca incessante, inglória, que a tantos caminhos leva, mas por nenhuma direção.

Eu choro: mais doído do que as lágrimas permitem.

Choro para o mar, onde você está; e de lá olho para mim, equilibrado na beirada do abismo, ouvindo lamentos e gemidos expurgados. Do lençol busco uma calma aparente, um sorriso num muxoxo que desvie a atenção. Se você não nota, melhor. Ei-lo aqui, como prefiro: selado, hermético, e deixado à ilusão, nesta conformidade absurda de dias que vem e vão.


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