18 de ago de 2008

:: Parte 2 ::

estendendo-se com uma enormidade anacrônica para além de onde consigo enxergar, o que sugere uma civilização ainda anterior àquela que eu inicialmente cria ter formado-se aqui através de suas próprias circunstâncias. A parede apresenta uma tecnologia que nossa arrogância evolutiva recusa-se a admitir, visto sua evidente e, a princípio, indeterminável antigüidade. Esta construção, com sua simples existência, desafia a sanidade, e para mim torna-se difícil manter a distância necessária para analisar com frieza as novas informações. Ainda que não tenha até agora feito qualquer tipo de contato com algum ser vivente, ou mesmo conseguido evidência de que há algum, é possível imaginar que sua subsistência apoiou-se também nessas construções, mesmo que tenha eventualmente chegado a um fim.

No primeiro momento após a queda, pensei estar alucinando diante da grandiosidade desta galeria. Certamente estive desacordado por um tempo considerável, mas impossível de precisar, visto que o impacto danificou meu relógio. Não sei dizer se é dia ou noite, o quanto caí ou como posso estar bem apesar da queda, uma vez que nem mesmo posso localizar o suposto buraco por onde saí. Assim me parece claro, agora, que qualquer possibilidade de sair deste lugar passa a depender inteiramente de um interesse externo no meu resgate.

A iluminação, obviamente, é pouca mas existente, o que também é assustador; não há como determinar sua origem. Não é possível, também, enxergar o teto da galeria. O chão é de pedra, aparentemente a mesma da caverna, mas nem mesmo nesta afirmação é possível ser categórico uma vez que as utilizadas na parede da construção tem uma outra origem evidente. A extensão da galeria não pode ser coberta com o olhar, estando suas extremidades envoltas na escuridão, o que me dá como única referência a parede na qual estava encostado quando recobrei a consciência. Pretendo começar logo uma expedição a fim de conhecer esses limites, marcando meu avanço a cada determinada distância.

(Também nesta parede notei marcas que não me parecem naturais, mas é preciso que averigúe se de fato há algum padrão antes de lançar-me à conclusões precipitadas)

O ar é abafado, mas muito menos do que se poderia esperar, e não carrega nenhum dos odores que até aqui me acompanharam; na verdade, parece-me absolutamente estéril. O chão é frio e coberto por uma areia fina; não há evidência de qualquer tipo de vegetação.

Algum ruído em um ponto perdido adiante, porém não característico; é preciso estar atento ao que a imaginação pode causar aos sentidos. Nem mesmo em meio aos meus maiores devaneios cogitei a possibilidade de uma civilização perfeitamente organizada (ainda que supusesse alguma ordem); menos ainda uma de origem imensamente remota. Todas as minhas previsões foram lançadas por terra, e é preciso um novo ponto de partida para seguir adiante com a pesquisa; e para também, tenho plena consciência, manter minha sanidade. Assim, estabeleço novas metas: primeiramente, buscar

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