19 de nov de 2008

:: Alvorada ::

Escrevo enquanto você ainda dorme a sono solto, enquanto não vê o dia que, logo, será o seu dia, e ainda não vê as pessoas com quem vai conversar, interagir, almoçar, negociar, ou rever uma ou outra posição a respeito de assuntos que mal lhe dizem respeito.

Escrevo enquanto a manhã ainda oferece as primeiras das suas horas, tendo por companhia a xícara de chá e a fumaça que, timidamente, desprende-se no ar. Escrevo enquanto, da rua, ainda se fazem ouvir alguns daqueles sons tímidos, que só aparecem quando não há outros pedindo atenção: o da garrafa que caiu de algum lugar, um carro solitário passando apressado ou a porta de metal da padaria sendo levantada para receber seus primeiros clientes - ou ainda, para servir um café fresco àqueles que nem ao menos voltaram para casa.

Escrevo porque, talvez, o dia passe rápido demais, e talvez passemos nós por ele atarefados demais, e assim talvez esqueçamos de falar coisas sem importância, talvez esqueçamos de rir por bobagens e de não levar tudo tão a sério. Escrevo porque, talvez, estejamos cansados demais para perguntar um ao outro como aconteceram as coisas hoje, quando hoje já for quase ontem.

E porque, talvez, quando percebermos isso, já não possamos fazer muito mais.

Escrevo agora, nesta minha urgência insone, na esperança de nos alcançarmos antes que haja dias demais entre nós.

Então, bom dia.

•••

Nenhum comentário: