10 de nov de 2008

:: Sinfonietta ::

Os dois olhavam-se em silêncio, nas primeiras horas da manhã: haviam dormido apenas um pouco e acordaram juntos, com a leve brisa que atravessava a janela, que lutava contra a cortina de seda, que entrava sorrateira e acariciava os corpos exaustos sobre a cama, alheios a todos, alheios ao mundo, suficientes em si mesmos.

Hoje é o dia em que as palavras servem de muito pouco: afinal, tudo foi dito durante a noite, sem qualquer uma delas. E foi mostrado, foi sentido, foi dividido. Foram os olhares e a respiração e as mãos e o suor; foram os dentes e o calor e a pele. Foi a luz suave e o leve perfume e as velas que, agora, igualmente exauridas, ofertam sua delicada fumaça branca ao quarto.

Falar os traria de volta à realidade, de volta ao dia que precisa ser vivido e aos compromissos que exigem atenção e às pessoas que, nesse momento, eles permitem-se nem ao menos lembrar que existem.

E, então, permaneciam ali, onde nada mais havia além das paredes que os protegiam.

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