9 de mar de 2009

:: Probare ::

E se, por hoje, não disséssemos palavras ruins e você apenas me contasse como foi seu dia?

E se hoje não houvesse discussão por tudo e por nada, e nos só ouvíssemos Waiting For The Moon To Rise no mesmo volume em que a ouvimos parados em frente ao mar, em meu carro, naquela noite cada vez mais esquecida?

Talvez por hoje pudéssemos não tirar a mesa e nem lavar a louça, e deixar de lado a desarrumação da casa, tornando-a maior ao espalhar as roupas que vestimos agora. Talvez, por hoje, pudéssemos deixar de lado as contas que temos a pagar amanhã, a razão que você afinal tinha sobre o valor delas ou a que tinha eu sobre o seguro do carro, e ocuparmo-nos de nós mesmos sem pensar se está tarde ou se precisamos acordar cedo. Talvez pudéssemos deixar-nos estar madrugada adentro perdidos em nossos próprios movimentos, em nossos próprios olhares e em nosso próprio calor, despidos de pudores e de receios.

E se, por hoje, fôssemos aquilo que dissemos e que acreditávamos ser quando nos conhecemos, quando a audácia do imediatismo nos fazia mais sinceros conosco e com os outros?

E se, ainda que só por hoje, deixássemos de fora o que mostramos ser aos outros?

Assim, espero.

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