18 de jan de 2010

:: Recado ::

“Nem a conheço, ou ao menos não como gostaria, mas você se acha no direito de me julgar através do quê? Do que ouve de mim, ou ainda, do que lê, supondo que se as palavras não são as que você usaria então o que digo não é sincero. Acha que o sentimento só é visceral se for espalhado em uma dúzia de argumentos de baixo calão, se for vomitado com desprezo, se pouco sentido fizer pra quem os diz desde que venham aos borbotões, enquanto os cabelos são arrancados e a voz se torna estridente e insuportável.

Mas as coisas não são como você gostaria que fossem. Nem mesmo as desagradáveis.

Já lhe ofereci respostas de todos os tipos: as cordiais, as incisivas, as amigas e nunca – nunca! – contraditórias, ainda que, escondida em seus maneirismos, em seu hálito e seu martini, você tenha se recusado (e eu nunca tenha entendido a razão) a ouvir.

Ofereço, agora, então, o que resta: o silêncio, não como a melhor resposta, mas como ele é.

E só.”

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Publicado por Renato Alt