22 de mar de 2010

:: Vermelho ::

Ela passava as mãos pelos cabelos, lembrando que talvez fossem os dedos dele e deixava caírem sobre os ombros e braços num abraço solitário, num suspiro profundo e perfumado.

Via as pequenas marcas em seus braços, que fizera em momentos loucos, por conta própria, deslizando lâminas até que um fino filete de vida rubra escorresse até os cotovelos e levasse com ele uma parte da sua dor, disfarçada e sem nome, incoerente, talvez, mas que lhe trazia lágrimas suaves aos olhos, que cortavam-lhe também a face, perdendo-se no canto do sorriso indeciso que insistia em brotar nos lábios.

Era só mais um dia, dizia como num mantra, e só mais uma experiência; mais um motivo que inventava quando mais nada lhe vinha à mente. Prometia-se vezes sem fim que não mais faria aquilo, que havia outras formas, outras maneiras, mas via a solução - ou aquilo que entendia como tal - e, seduzida, entregava-se mais uma vez.

Ela passava as mãos pelos belos e deixava que caíssem sobre os ombros e os braços, num abraço solitário, dolorido e quente, marcado, que levava consigo uma miríade de noites sem fim.

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Publicado por Renato Alt