17 de jun de 2010

:: Piacevole ::

Sim, é verdade, é por todo o dia. Acordado, adormecido, ou em qualquer momento entre os dois: ela acompanhava-o em sua lucidez, tomando-lhe a razão, e apresentava-se, sorridente e ansiosa, em seus sonhos, deixando-o perder-se em sua infinidade indescritível.

Ali ela vinha inteira, plena. Procurava-o com o sorriso e os braços abertos, recebia-o com um abraço longo, demorado, deixando sentir os contornos do seu corpo, seu calor, a respiração profunda que só quem se permite conhecer é capaz de alcançar. Ele sentia seu rosto, e o pescoço, e o perfume dos cabelos, escuros como a noite onde estão. Sentia os lábios dela tocarem sua pele, sentia os dentes mordiscarem, sentia a pulsação quente que, pouco a pouco, acompanhava a sua, acelerada, apressada. Esperava com os olhos fechados qualquer movimento que se apresentasse, completamente entregue; era quando havia o beijo, e era tanto e tão intenso que lhe disparava os sentidos, e quase o desfazia em um desejo doído, e então existia apenas porque ela o segurava junto a si.

Era o momento que tinha: etéreo, eterno, até que o sol sobre seu rosto lhe anunciasse a manhã; e ainda que não estivesse lá, ele a cumprimentava com um suspiro, na esperança que ela lhe ouvisse ainda antes de encontrá-la, próxima e distante, como sempre, todos os dias.

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Publicado por Renato Alt

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