26 de jun de 2010

:: Una ::

O que foi, então?


Perguntou a si mesmo enquanto olhava para o espelho e via marcas que não conhecia, apresentado-se uma a uma: indefinidas, confusas, tentando acomodar-se uma ao lado da outra.

Talvez fosse um suspiro. Um hiato da realidade. Uma simples, voluntária, cegueira.

Ainda assim o levava de um dia para o outro. Ela. Ela que carregava consigo alguns tantos sentidos que faltavam a ele, estando seus próprios entorpecidos desde a primeira vez em que a viu.

O que foi, então?

Lavou o rosto e sentou-se, o quarto às escuras. Dormira ouvindo músicas, e estas ainda se faziam ouvir: agora, começava uma balada qualquer na voz de
Timmy Thomas. Talvez os dias que passaram estivessem encobertos, escondidos por detrás de esperanças que costurou de apanhados daqui e dali, que remendara com alguns sorrisos furtivos e palavras macias.


O que há, então?

Nada.
Só o nada.
De novo.

...
Publicado por Renato Alt


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