6 de dez de 2010

:: Néctico ::

E agora, o que vem?

As eternas promessas de nunca mais passar por isso, o eterno engano de não se deixar abater, a eterna mentira que grita, descrente, que é melhor assim, na tentativa inútil de fingir não querer que tudo fosse diferente.

Agora vêm as noites turbulentas, vem algum alívio mal interpretado e a falsa satisfação por não precisar perguntar se tudo bem uma outra idéia. Vêm os dias seguidos de horas que não passam e de propósitos que não se firmam, vêm momentos que não encontram eco por não terem com quem serem divididos. Vem a certeza de que o futuro mudou completamente, e de que tudo o que poderia ser, como em um estalar de dedos, desvaneceu no vento e na poeira.

Chega o instante em que a volta não tem razão, em que ideias perdem-se em si mesmas, em que vitórias e derrotas diferem umas das outras apenas diante de olhos que pouco importa o que enxergam: à noite, sobre o colchão, já não há diferenca para quantos ou para quem mostrou-se tão hábil, tão inteligente ou tão nobre.

E agora, o que vem?

A mesma estrada, aquela trilhada desde que o tempo é tempo, o caminho desgastado, árido, que caleja pés e espíritos.

E agora, há que continuar: ainda que não se saiba para onde, ou para quem, ou o porquê.

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Publicado por Renato Alt

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