7 de jun de 2011

:: A.R. ::

Já não tinha tanta importância agora.


Ele lutara por aquilo por tanto tempo, e contra tantos, e contra tanto, que chegara mesmo a esquecer pelo que lutava. Agora, tinha nas mãos, mas lhe parecia desprovido de qualquer valor.


Chegou até a mesa e deixou-se cair sentado na cadeira. A garrafa de vinho estava pela metade; nem mesmo preocupou-se em buscar uma taça. Como estava, cansado como estava, sujo como estava, desprovido de qualquer sentimento como estava, tirou a rolha e bebeu direto do gargalo, em um gole só, quase tudo o que restava do vinho quente, ainda que um tanto lhe escorresse pelo pescoço e manchasse a camisa.



O que queria, ou achava que queria, agora estava ali, carregando uma completa, absoluta, ausência de razão de ser, de estar ali. Era alta madrugada, pouco se ouvia da rua: um ou outro carro que passava com o som alto, despistando a bebedeira e a solidão daquele que o conduzia.


Estendeu a mão, e era estranho ao toque. Sentia uma leve corrente, como de eletricidade, percorrer-lhe os braços, lembrando, assim, quenada daquilo deveria estar acontecendo.


Mas já estava. A decisão já fora tomada.
Mais um suspiro, e engole o resto do vinho.
O estilete em sua mão direita faz o primeiro corte: que assim seja, então.




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Publicado por Renato Alt

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