22 de set de 2011

~:: GIG, GOI. ::~

Já se vão três semanas, quase, que cheguei aqui, e peço desculpas pela ausência forçada: internet, quem diria, não está disponível por todo lado e muito menos gratuitamente, o que gera uma inevitável estranheza; afinal, a Índia é um dos grandes exportadores de tecnologia do mundo.


Horas infindáveis entre o Rio de Janeiro e Londres. Deveriam ser 12, mas essas apenas para quem voou em Classe Executiva: nós, lá atrás, tivemos uma viagem muito mais longa, e eu aprisionado na poltrona da janela sequer podia levantar para esticar as costas. Noite adentro (o vôo saíra 22h50), o Boeing cortava o céu em silêncio, quebrado apenas pelo eventual aviso de "apertar cintos" que, claro, permanecia rigorosamente ignorado por todos.

Londres. Mais 4 horas de espera até o vôo para Delhi: muito tempo de aeroporto, muito pouco tempo para tentar ver mais alguma coisa da Terra da Rainha. Imagino ao longe a London Eye e o Tâmisa, como se soubessem que os queria rever, enquanto fico nesse limbo de tempo e nesse território sem pátria.

Delhi. Finalmente, Índia, ainda que, por enquanto, só pelas janelas do avião que pousava; novamente, mais de 4 horas de espera até, enfim, a última conexão. Ainda que a cidade estivesse tão próxima, dessa vez era o receio quem me impedia de sair: só uma cultura tão diferente da nossa é capaz de, realmente, fazer sentir-nos como estrangeiros.


Goa. Uma eternidade depois, vejo-me enfim ao ar livre. E esse ar carregado de uma mistura intensa dos odores de incenso e frutas, de umidade, de calor opressor, acerta-me como um soco. Inocente, ainda dentro do aeroporto, pedira um táxi sem saber que deveria especificar o ar-condicionado. 

Uma horda de taxistas me cerca, como se eu fosse sua última tábua de salvação, disputando aos gritos minha atenção. Mostro o papel do táxi pré-pago, orientação recebida de amigos para evitar ser enrolado, mas isso em nada os detém; uma breve confusão e enfim encontro meu caminho, e meu motorista o nosso, e começamos o breve percurso por esse canto que guarda ainda aqui e ali alguns poucos resquícios dos seus tempos de colônia portuguesa: nomes de ruas, de igrejas, de santos, e pessoas talvez com a idade de própria colônia que falam um dialeto que, com boa vontade, pode-se chamar de português. E quem o fala, fala com orgulho: são os verdadeiros donos do lugar.

Goa, cidade praiana, oferece um vislumbre do que viria adiante, como um estágio para enfrentar a Índia como nós a pensamos. Lugar repleto de turistas, faz diversas concessões no que diz respeito às próprias tradições culinárias, ou religiosas, ou de usos e costumes, ou quaisquer outras. Um belo lugar para quem quer vir a Índia e dizer que veio, sem dúvida; mas não o lugar para quem a quer conhecer de verdade.


Uma semana e um pouco mais para adaptar-me e tentar entender algo do pensamento indiano; tentar e não conseguir entender o que determina o preço das coisas (cortar o chip que comprei para o telefone foi mais caro do que adquirir a linha), e, principalmente, perceber que, aos olhos deles, por mais próximos que nos sejam, seremos sempre o que de fato somos: estrangeiros.


A próxima parada, no entanto, é o choque cultural de que tanto se fala: Mumbai.





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Publicado por Renato Alt

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