6 de set de 2011

:: Panjim ::

O calor do dia torna uma simples caminhada uma tarefa hercúlea: mais do que o sol, a umidade intensa faz encharcar a camisa, o rosto, deixa a respiração pesada e cansativa. Ainda é época de monções, o último mês, e por isso elas, as monções, fazem questão de que suas despedidas sejam intensas. O dia começa com sol a pino, céu azul, e em minutos torna-se negro como a noite. Os indianos, acostumados, simplesmente param em qualquer lugar que ofereça algum tipo de abrigo e ficam ali, com a vida parada, enquanto o céu desaba. Dez ou vinte minutos depois, tudo recomeça: as buzinas incessantes, os riquixás cortando caminho por entre ônibus e caminhões, e o breve frescor que a chuva trouxera já há muito se vai.
Novamente, é dia claro e há pássaros cantando. Entre eles, corvos, muitos. Cães preguiçosos estiram-se pelas calçadas úmidas para aproveitar o calor. Eu, circulando entre aqui e ali, por mais indiano que pareça, sou constantemente interrompido por alguém que me quer vender  um sari, ou chá, ou o que for. É da cultura esse oferecer constante, porém respeitoso.
Mais uma vez o tempo fecha subitamente, mais uma vez cai a chuva torrencial. É preciso habituar-se para programar os dias conforme o vai e vem dos humores de São Pedro. Me perco pelas ruas mais afastadas da pousada onde me hospedei, Panaji Inn, e vou de encontro a casas inteiramente cobertas pelo mato, outras tantas abandonadas, outras tantas convertidas em hotéis e restaurantes.
A noite chega de repente, e é quando, curiosamente, aparecem os outros turistas. Hoje, logo que venha, saio para descobrir o que é que, afinal, encanta gente de toda parte. Porque o que encanta a mim já está mais do que evidente.


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Publicado por Renato Alt

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