13 de nov de 2011

~:: Amritsar::~

- Nota: o (aperte o alt) é um blog de contos e crônicas. No entanto os leitores votaram por ler relatos da minha jornada pela Índia enquanto estiver aqui, ou seja, até dezembro. Peço, também por isso, compreensão pela irregularidade nas postagens.-

O quarto alugado era só para o dia seguinte, e nenhum hotel nas redondezas tinha qualquer vaga a oferecer.

- A gente pode colocar uns lençóis no sofá do almoxarifado e você dorme lá, se quiser.

Eu quis. Claro. À essa altura, com a mochila nas costas, me sentia como Atlas, carregando o mundo.



Pôsteres e deuses cobriam as paredes   de ponta a ponta. Osho me encarava   da parede. Eu o ignorei, esperando   pela  manhã seguinte, quando me   prometeram acomodação de verdade.

Dia seguinte, acomodação de verdade,  hora de ver o que a cidade sagrada   dos  Sikhs tinha para mostrar. E me   disseram que apenas uma coisa: o   templo de ouro. Me perguntava se   teria  valido a pena um destino tão   fora  de rota, mas agora já estava ali.   Peço a um riquixá que me leve até lá.

Caminho pelo resto do trajeto.

A chegada até o local sagrado é cercado da pompa que se esperaria: há que tirar os sapatos e lavar os pés, além de cobrir a cabeça. Guardas inspecionam.

Entro, enfim, pelo portal de mármore branco, e a visão não poderia ser mais impressionante: rouba-me o ar. Muralhas brancas, ao ponto de quase cegar, protegem o lago de águas limpas, transparentes, recheado de carpas que vão e vêm em um balé incessante. No centro dele, majestoso, impossível, está o templo: inteiramente feito em ouro, reluz orgulhoso sob o sol que brilha com entusiasmo para apresentar o cenário com toda a distinção que merece.

Há algum canto espalhado no ar. Não entendo as palavras. Entendo o clima. Há respeito e silêncio, mesmo por parte dos turistas, em geral tão inconvenientes.



Sento-me perto do lago, pernas cruzadas, e deixo o sol se por sobre mim e sobre todos nós, naquele lugar irreal, como que saído dos versos de Scheherazade.
Perco o tempo. Perco-me no tempo.


Vou embora porque há que ir embora. Nada mais, ali, poderia superar aquilo.

Fico com a certeza de que o destino, muitas vezes no improviso, guarda algumas das suas melhores surpresas. 



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Publicado por Renato Alt

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